A taxa média de juros do crédito consignado ao setor privado com garantia do FGTS ficou em 3,75% ao mês em maio, conforme o relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (27). Apesar da queda em relação a abril (3,94% ao mês), o patamar ainda é mais do que o dobro dos juros cobrados de aposentados (1,83%) e servidores públicos (1,87%).
Atualmente, 66 instituições financeiras estão habilitadas para operar a nova linha do consignado. As condições variam de acordo com o perfil de crédito do trabalhador, o tempo de serviço e a empresa empregadora.
De acordo com o relatório do BC, as taxas de juros para créditos consignados e demais linhas são as seguintes:
- Consignado com FGTS (setor privado): 3,75%
- Consignado para aposentados (INSS): 1,83%
- Consignado para servidores públicos: 1,87%
- Crédito pessoal não consignado: 6,14%
- Cheque especial: 7,37%
- Cartão de crédito rotativo: 15,26%
Lembrando que as taxas médias para o crédito consignado apontadas no relatório do BC não significam que esse será o juro obtido pelos trabalhadores nos bancos, pois depende da análise de risco que as instituições financeiras farão com base na garantia ofertada, seu tempo de trabalho e histórico de operações de crédito, entre outros fatores.
Especialistas recomendam que os trabalhadores pesquisem no aplicativo da Carteira de Trabalho digital, promovendo concorrência entre as instituições financeiras, antes de fechar um empréstimo.
Portabilidade permite busca de juro menor do consignado
Desde 6 de junho, trabalhadores do setor privado com carteira assinada podem fazer a portabilidade do crédito consignado entre instituições financeiras. A medida, anunciada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, amplia a concorrência nesse segmento de crédito, permitindo que empréstimos com desconto em folha sejam transferidos de um banco para outro — o que, na prática, pode forçar a queda das taxas de juros.
Diferente da portabilidade entre modalidades (como migrar de cheque especial ou CDC para consignado), já permitida desde 16 de maio, a nova regra vale especificamente para a troca de bancos dentro do próprio crédito consignado.
O consignado com garantia do FGTS foi lançado oficialmente em 21 de março deste ano. O trabalhador pode contratar a modalidade via app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) ou pelos canais dos bancos habilitados.
Podem acessar esse tipo de consignado trabalhadores do setor privado com carteira assinada (inclui empregados domésticos, rurais e MEIs).
- Valor garantido pelo FGTS: até 10% do saldo + 100% da multa rescisória
- Desconto automático: parcelas são descontadas diretamente no salário
- Limite de comprometimento: até 35% do salário bruto
- Portabilidade e renegociação: permitidas desde 16 de maio
Em caso de demissão, o FGTS cobre parte da dívida; o pagamento é suspenso e retomado quando houver novo vínculo empregatício.
Segundo o Ministério do Trabalho, mais de 2,6 milhões de trabalhadores já contrataram crédito consignado nessa modalidade, somando quase R$ 16 bilhões em recursos liberados. A expectativa é que a linha ganhe fôlego nos próximos meses, podendo ultrapassar R$ 100 bilhões em contratações, segundo projeções do governo e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Concessão de crédito recua em maio, mas estoque total ainda cresce, aponta Banco Central
As concessões de empréstimos no Brasil tiveram uma leve retração de 0,4% em maio na comparação com abril, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Apesar da queda, o volume total de crédito no país avançou 0,6% no mês, alcançando R$ 6,653 trilhões.
Entre as modalidades de crédito, os financiamentos com recursos livres — em que as condições são definidas diretamente entre bancos e tomadores — apresentaram uma leve alta de 0,2% em relação ao mês anterior. Já as operações com recursos direcionados, que seguem regras definidas pelo governo, registraram uma queda mais expressiva, de 5,6%.
Indicadores adicionais do mercado de crédito
A inadimplência nas operações com recursos livres se manteve relativamente estável, subindo ligeiramente de 4,8% em abril para 4,9% em maio.
Os juros médios cobrados nesse segmento também subiram, passando de 44,8% para 45,4% ao ano, um avanço de 0,6 ponto percentual. No caso dos recursos direcionados, os juros caíram discretamente para 12,1% ao ano, queda de 0,1 ponto percentual.
Outro dado importante é o spread bancário — a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e o valor cobrado do consumidor final. Em maio, esse indicador subiu para 31,6 pontos percentuais nas operações com recursos livres, frente aos 30,8 pontos registrados em abril.






