Por José Marques
(Folhapress) — A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (1º) uma operação que tem como principais alvos o entorno do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, sob autorização do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar não é alvo da medida.
É a terceira fase da Operação Rent a Car, que chegou a fazer buscas contra o deputado no fim do ano passado para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos de cotas parlamentares.
Em dezembro, em um endereço ligado a Sóstenes, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil mil em espécie. À época, Sóstenes afirmou à imprensa que sofre perseguição por ser de direita e que o dinheiro vivo encontrado em seu endereço se deve à venda de um imóvel na semana anterior.
A fase desta quarta tem como principais alvos as pessoas que fizeram os saques em espécie desse dinheiro e um advogado de Minas Gerais que apresentou versão sobre a aquisição desse imóvel.
Procurado por meio da assessoria de imprensa às 7h, o deputado ainda não se manifestou.

A PF afirma que a atual fase tem o objetivo de aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação dos recursos relacionados ao desvio de cota parlamentar.
São apuradas suspeitas de eventuais crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. São cumpridos cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
De acordo com a corporação, “as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos”.
“Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.”
A cota parlamentar é um valor mensal que o deputado recebe para custear despesas do exercício do mandato, como aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e aluguel de carro, entre outras.
A suspeita da polícia na operação do ano passado era de que uma empresa de locação de carros contratada pelos deputados e paga por meio da cota parlamentar continuou recebendo dinheiro mesmo depois de ser dissolvida irregularmente.

Sóstenes disse que o comprador quis lhe pagar o apartamento em dinheiro e que não depositou a verba ainda por causa “dessa correria de trabalho”.
“Acabei não fazendo depósito, mas faria. Inclusive, parte dele, eu tenho pensando em fazer outros negócios e tudo, acabei não fazendo o depósito”, respondeu.
Na fase anterior, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas e reagiu com a publicação nas redes sociais de um vídeo que chamava a ação de “covarde”.
Ele dizia que ajustificativa da busca e apreensão é a de que ele teria desviado recursos da cota parlamentar para uma empresa de fechada para aluguel de carros, que seria a mesma empresa que ele aluga carros desde o início do seu primeiro mandato.






