O “Menino Ney” ficou no passado. O personagem continua, mas o futebol que justificava o espetáculo parece ter acabado.
Por Tiago Breves – TREZZE Comunicação Integrada
Existe uma expressão muito conhecida na Bahia: “vai chorar no pé do Caboclo”. Ela costuma aparecer quando alguém precisa encarar as consequências dos próprios atos depois de muito insistir no erro.
No futebol brasileiro, dificilmente ela encontraria personagem mais apropriado do que Neymar.
O “Menino Ney” já não é menino há muito tempo. Aos 34 anos, o ex-craque continua ocupando espaço nas manchetes, mas cada vez menos pelo futebol. O talento extraordinário que um dia encantou o mundo foi sendo substituído por uma imagem construída em torno de publicidade, redes sociais, contratos milionários, festas, apostas, polêmicas e um comportamento que frequentemente parece colocar a própria marca acima da Seleção Brasileira.
Quando o Brasil mais precisou de líderes, encontrou um elenco incapaz de romper o ciclo de fracassos em Copas do Mundo. A eliminação diante da Noruega expôs, mais uma vez, um futebol distante da tradição brasileira e reacendeu uma pergunta inevitável: onde foi parar a geração que prometia devolver o Brasil ao topo?
Neymar acabou se tornando o principal símbolo dessa resposta.
Sempre que a pressão aumenta, o roteiro parece conhecido. O apito final chega, os jogadores desabam no gramado, as lágrimas aparecem e o drama ocupa o centro do palco. Mas, para uma parcela crescente dos torcedores, esse teatro já não emociona como antes. Sem resultados que sustentem a narrativa, o choro perdeu força e passou a ser visto por muitos como um gesto repetitivo diante de uma coleção de oportunidades desperdiçadas.
O futebol não cobra apenas talento. Cobra comprometimento, liderança, disciplina e exemplo. São justamente esses atributos que muitos críticos afirmam ter faltado ao jogador que durante anos carregou o peso de vestir a camisa 10 da Seleção.
Enquanto outras gerações deixaram troféus, esta deixa debates. Enquanto outros ídolos são lembrados pelos títulos, Neymar passa a ser lembrado pelas controvérsias, pelas promessas interrompidas e pela sensação permanente de que poderia ter sido muito maior do que efetivamente foi.
A expressão baiana resume, de forma contundente, o sentimento de parte da torcida brasileira.
Depois de tantos ciclos encerrados da mesma maneira, depois de tanta expectativa frustrada e de mais uma eliminação precoce, resta ao antigo “Menino Ney” enfrentar o julgamento mais duro de todos: o da arquibancada.
Porque a torcida pode até perdoar uma derrota.
O que ela dificilmente perdoa é a impressão de que o talento foi desperdiçado.
E, para muitos brasileiros, chegou a hora de Neymar chorar no pé do Caboclo.






