A inflação ao consumidor nos Estados Unidos (EUA) perdeu força em junho e ficou abaixo das expectativas do mercado, mas o alívio pode ser temporário diante da escalada das tensões no Oriente Médio, que pressiona os preços da energia e mantém as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Departamento do Trabalho mostram que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 3,5% em 12 meses até junho, após alta de 4,2% registrada em maio. Na comparação mensal, o índice recuou 0,4%, depois de subir 0,5% no mês anterior. Economistas consultados pela Reuters projetavam inflação anual de 3,8% e queda de 0,1% no mês.
A desaceleração foi impulsionada principalmente pela redução dos preços da gasolina após um breve cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. No entanto, a retomada dos confrontos no Estreito de Ormuz voltou a pressionar o mercado de energia.
Segundo a AAA, entidade que monitora os preços dos combustíveis nos EUA, a média nacional da gasolina subiu para US$ 3,86 por galão nesta terça-feira, ante US$ 3,79 na semana anterior. A tendência é de novos reajustes, já que o petróleo atingiu o maior valor em quatro semanas após o governo do presidente Donald Trump anunciar o restabelecimento do bloqueio naval ao Irã.
Sem considerar os preços de alimentos e energia, considerados mais voláteis, a chamada inflação subjacente ficou em 2,6% nos 12 meses até junho, abaixo dos 2,9% registrados em maio. Na comparação mensal, o núcleo da inflação permaneceu estável, após alta de 0,2% no mês anterior.
Embora os números indiquem uma desaceleração da inflação, o cenário ainda não afasta a possibilidade de novos aumentos dos juros. O Fed utiliza como principal referência o índice PCE, cuja meta é de 2%, patamar que não é alcançado desde o início de 2021.
A ata da reunião de junho do banco central americano mostrou preocupação crescente das autoridades com a persistência da inflação. Na ocasião, o Fed manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, mas sinalizou que uma nova alta em 2026 segue no radar.






