Por André Uzêda (De São Bernardo do Campo)
Com um discurso com forte apelo emocional e embalado pela nostalgia, o presidente Lula deu a largada em sua campanha pela reeleição presidencial neste domingo (16), em São Bernardo do Campo, cidade berço da luta sindical do país no fim dos anos 1970.
Durante sua fala, que durou exatos 36 minutos, o petista lembrou da sua história política, desde as greves do ABC, passando pela prisão na ditadura, as três eleições presidenciais e a segunda prisão, durante a operação Lava Jato, em 2018.
Lula também fez comparações entre seus mandatos e a proposta da extrema direita, do seu principal adversário Flávio Bolsonaro (PL).
“Quero criar o ministério da Segurança Pública para libertar o povo da favela, que sofre na mão da criminalidade. Porque a solução não é somente liberar armas e balas”, disse.

O evento, chamado de ‘Onde Tudo Começou’, remete ao início da história política de Lula, ainda como sindicalista.
Lula também deu destaque ao assunto da soberania nacional, citando a importância do Brasil não se submeter a necessidades de outras nações.
“Não podemos entregar a extração dos nossos minerais raros para quem quer que seja. Essas coisas são nossas”, disse
Ainda no tom de nostalgia que pairou o ato, o hino nacional foi cantado por Fafá de Belém, símbolo da campanha das Diretas Já, em 1984. Nesse momento, um enorme bandeirão do Brasil foi aberto nas arquibancadas.
O helicóptero oficial da presidência, com Lula a bordo, sobrevoou o estádio da Vila Euclides às 9h30 sendo saudado de pé pela militância presente em São Bernardo do Campo.
O presidente, no entanto, só foi começar a discursar às 11h53. Antes, candidatos do PT e da coligação partidária falaram com a plateia, como por exemplo Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Benedita da Silva (PT), Fernando Haddad (PT) e o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).

A primeira-dama Janja da Silva também discursou antes do presidente, pontuando o jingle ‘Rap da Silva’ e a força feminina como chefes de família. E ainda citou a importância de Marisa da Silva, ex-esposa de Lula morta em 2017, como fundamental para a luta sindical e organização do PT.
Este foi o primeiro evento oficial do petista depois que sua chapa foi oficialmente inscrita no TSE e os atos de campanha foram liberados pela Justiça Eleitoral. Lula tenta a reeleição e um inédito quarto mandato como presidente eleito pelo voto no país.
No dia 2 de agosto, em São Paulo, o presidente já havia discursado durante a convenção do PT, quando projetou seu nome para a disputa de outubro. Naquela ocasião, as falas do presidente foram direcionadas à defesa da mulher em pautas contra a violência de gênero; defesa da educação; dos aposentados; da transição energética e inclusão social.

O estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, tem um enorme significado político. Foi lá, em 1979, que Lula, então diretor do sindicato dos metalúrgicos, liderou uma das maiores greves da história da categoria durante a Ditadura Militar.
À época, o sindicato estava sob intervenção federal, ordenada por João Batista Figueiredo – o último presidente-general do regime militar que comandou o Brasil por 21 anos.
Depois das greves históricas, já na década de 1980, o estádio da Vila Euclides foi rebatizado. Deixou de ser Arthur da Costa e Silva (o segundo presidente-general da ditadura) e passou a ser chamado de Primeiro de Maio – uma homenagem ao Dia do Trabalhador, em referência às lutas históricas travadas pelos metalúrgicos.
A capacidade total do estádio é de 12,5 mil pessoas, mas isso considerando apenas a ocupação das arquibancadas. Como o gramado foi usado para abrigar convidados, militantes e simpatizantes do PT, a direção da legenda estimou que a lotação total deste domingo foi de XX lugares.
O PT fez uma ampla mobilização para que militantes viessem a São Bernardo em caravanas para ocupar o estádio da Vila Euclides. Desde que foi anunciado o evento, foram articulados ônibus, vans e carros particulares de diversas regiões do país para o evento.
“É um evento que mexe com nossa emoção, porque toda nossa luta começou no estádio da Vila Euclides, quando estávamos pedindo melhorias salariais para nossa categoria. Nunca imaginaríamos que um dia estaríamos lutando pela melhoria do Brasil”, diz Jair Meneguelli, ex-presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que sucedeu Lula na direção.






