O jornal britânico Financial Times revelou, neste domingo, que o governo Donald Trump está considerando aplicar novas sanções contra o juiz Alexandre de Moraes. O ministro já havia sido alvo de medidas por parte da Casa Branca, em 2025. Naquele momento, a alegação eram as supostas violações do brasileiro em relação à liberdade de expressão e o que foi chamado de “caça às bruxas” contra bolsonaristas.
A Lei Magnitsky foi aplicada, com sanções financeira contra o ministro. Mas o gesto foi duramente criticado pelos autores da lei nos EUA e pelos democratas. No final de 2025, diante de uma aproximação comercial entre Lula e Trump, elas foram retiradas.
Mas, em meio a uma nova onda de crises e ataques, Washington estaria revendo sua posição e poderia anunciar as medidas nos próximos dias. Mais uma vez, o argumento central seria seu ataque contra a liberdade imprensa e de expressão.
Se aplicadas, as sanções representariam mais um teste para a já tensa relação entre os dois governos, Ainda que seja contra um ministro do STF, o governo Lula passou a adotar a postura de que uma sanção seria contra as instituições do país.
Ingerência na eleição
O gesto é ainda visto como um sinal de que, em um momento chave da eleição, Trump avalia escalar a ingerência no processo de escolha do próximo presidente.
Tanto o Palácio do Planalto quanto o Itamaraty consideram que a intromissão da Casa Branca para favorecer Flávio Bolsonaro já é uma realidade. O governo estima que, nas próximas semanas, as ações por parte de Washington vão ser multiplicadas.
Jornalista no Maranhão
Desta vez, um dos motivos seria a decisão de Moraes de agir contra um jornalista no Maranhão. O ministro autorizou a quebra de sigilo das comunicações do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos.
O caso seria usado na Casa Branca como “prova” de que o ministro seria um “inimigo” da liberdade de expressão.
Citando pessoas próximas ao poder nos EUA, o jornal destaca que a figura de Moraes é alvo de duras críticas em Washington.
“Ele está perseguindo os apoiadores do presidente. Não apenas Elon Musk, mas também os apoiadores do MAGA no Brasil”, acrescentou uma pessoa familiarizada com o pensamento do governo americano.
“Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, obviamente esse cara é um inimigo.” A reimposição das medidas Magnitsky estava “sob consideração”, disse outra pessoa.
Mas o caso do Maranhão não é o único. “Havia muitos fatores [e] um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, acrescentou, referindo-se ao caso do jornalista. “As preocupações nunca desapareceram.”






