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Abin paralela: bispos da região de Rio Preto que assinaram carta com críticas a Bolsonaro estão entre alvos de esquema de espionagem ilegal

Pelo menos três bispos que atuavam, à época, em dioceses na região de São José do Rio Preto (SP) e que assinaram a carta com duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram alvo de um esquema de espionagem ilegal montado na Agência Brasileira de Informações (Abin) durante o governo dele.

A carta dos 152 bispos, divulgada em julho de 2020, afirmava que o país passava por um dos períodos mais difíceis da história, em meio à crise de saúde, um colapso econômico e também de tensão sobre os fundamentos da República. Segundo o texto, isso seria, em grande parte, provocado pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

A carta, chamada de Carta ao Povo de Deus, que seria publicada, chegou a ser suspensa para análise do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No entanto, acabou vazando.

Segundo apurado pelo g1, a Abin paralela, nome dado ao esquema que monitorava os opositores, entre eles os bispos que assinaram o documento, colocou como alvos:

  • Bispo emérito Demétrio Valentini, de Jales;
  • Bispo José Reginaldo Andrietta, de Jales;
  • Bispo já falecido Antônio Celso de Queirós, de Catanduva.

 

Em nota enviada ao g1, a Arquidiocese de Rio Preto, responsável pelas dioceses citadas acima, informou que aguarda a análise da íntegra do relatório para, em sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, expressar o entendimento.

Entenda o escândalo

 

O que é a Abin paralela, segundo a PF — Foto: Arte/g1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, derrubou, na quarta-feira (18), o sigilo do inquérito da Polícia Federal que apura o escândalo. O relatório da polícia indiciou mais de 30 pessoas.

De acordo com a investigação, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) pediu ao ex-diretor da Abin, Frank Márcio de Oliveira, o levantamento de informações e perfis de cada um dos bispos que assinou o manifesto. Veja a imagem no topo da reportagem. Frank está entre os indiciados.

Também consta no relatório uma mensagem encaminhada à Abin pelo agente da PF Marcelo Bormevet, em que ele escreve: “Parabéns, muito corajoso: Padre desmascara 152 bispos que assinam carta contra Bolsonaro: Todos Comunistas.”

Agora, cabe ao Ministério Público decidir como proceder: pode propor mais apurações, apresentar uma acusação formal à Justiça (uma denúncia) ou arquivar o caso.

Ou, ainda, sugerir um acordo de não-persecução penal, quando o caso se encaixa nas condições previstas em lei. A Procuradoria-Geral da República terá 15 dias para se pronunciar.

Em qualquer uma das situações – arquivamento, mais diligências, denúncia – a PGR vai apresentar as conclusões ao Supremo Tribunal Federal.

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