Por João Pedro Procopio e Mayara Balestro*
A Brasil Paralelo é uma produtora que surgiu no Rio Grande do Sul em 2016, no contexto dos atos pelo impeachment de Dilma Rousseff. Fundada por Henrique Viana, Lucas Ferrugem e Felipe Valerim, em conexão com o empresário Leandro Ruschel, a empresa se estrutura desde o início com um projeto ideológico claro. Com táticas que vão desde a produção de documentários à infiltração nas escolas, ela tem atuado para interferir na educação e alcançar seus objetivos financeiros e ideológicos.
Para entender a sua atuação, é importante lembrar a influência de Olavo de Carvalho, que defendia que a Brasil Paralelo deveria ser uma “empresa militante”. Essa orientação se reflete na produção audiovisual da empresa, com temáticas históricas, políticas e educacionais. A produtora opera entre a lógica do negacionismo histórico-científico e a da desinformação – ou, melhor dizendo, para compreender suas “realidades paralelas”, vale mencionar o que o historiador e articulista da revista Liberta, João Cezar de Castro Rocha, denomina de “sistema de crenças olavista”. No caso da Brasil Paralelo, esse sistema se estrutura a partir de três teses fundantes: 1) o mito fundacional da nação idealizada; 2) o pânico moral; e 3) a teoria da conspiração.





