Os Correios iniciaram uma nova rodada de consultas ao mercado financeiro para atrair bancos interessados em participar da concessão de crédito à estatal. Embora o pedido formal siga sendo de até R$ 20 bilhões, a expectativa de negociadores e do governo é que o valor final da operação fique em torno de R$ 12 bilhões.
O valor é menor que o originalmente solicitado para financiar o plano de reestruturação em 2025 e 2026. Internamente, porém, a possibilidade de fatiar o empréstimo já vinha sendo considerada como forma de reduzir custos e ampliar a concorrência entre as instituições financeiras.
O prazo da consulta anterior expirou, o que levou a empresa a retomar o processo. A Caixa Econômica Federal foi acionada pelo governo para integrar o novo pool de bancos, e há indicativos de que outras instituições privadas também avaliem entrar na operação —enquanto algumas que haviam apresentado proposta preliminar consideram desistir.
As respostas devem ser entregues até esta sexta-feira (12).
Tesouro rejeitou primeira proposta por juros elevados
Apesar de manter oficialmente o pedido de R$ 20 bilhões, os Correios negociam condições que permitam aval do Tesouro Nacional, que só admite operações com custo máximo de 120% do CDI —cerca de 18% ao ano. A garantia soberana reduz o risco para os bancos, mas exige que o crédito seja considerado viável para a estatal.
A primeira proposta, apresentada por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra, atendia integralmente ao valor solicitado, porém com juros próximos a 136% do CDI, patamar considerado excessivo. O Tesouro Nacional recusou conceder a garantia, travando a contratação.
A recusa gerou impasse, já que a estatal registrou prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano e precisa de recursos para honrar compromissos imediatos, incluindo o pagamento do 13º salário até 20 de dezembro. Sem tempo hábil para um aporte direto da União, o governo reforçou a prioridade do empréstimo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o aporte ainda pode ser necessário, mas que o foco permanece na negociação com os bancos. Segundo técnicos, liberar recursos via Orçamento exigiria procedimentos que não cabem mais no calendário legislativo de 2025, e um crédito extraordinário também foi descartado.
Nos bastidores, o governo trabalha para fechar o empréstimo a tempo, e a Casa Civil passou a atuar diretamente nas tratativas. Dentro da estatal, há receio de atrasos no pagamento do 13º caso a operação não seja concluída a tempo, cenário que o Executivo tenta evitar.






