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Deputados acionam PGR contra decisão que absolveu acusado de estuprar menina de 12 anos


As deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Heloísa Helena (Rede-RJ) e o deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF) acionaram a Procuradoria Geral da República (PGR) para que peça junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação de decisões judiciais recentes de instâncias inferiores que não reconheceram o crime de estupro contra menores de 14 anos. A informação foi dada inicialmente pela Folha de S.Paulo.

Ação ocorre após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolver, em 11 de fevereiro, um homem que teve relação com uma menina de 12 anos e a engravidou. O argumento aceito pela instância judicial foi de que o elo era consensual e portanto poderia haver uma exceção na norma constitucional que proíbe relação com menores desta idade.

Deputados acionam PGR contra decisão que absolveu acusado de estuprar menina de 12 anos
Deputados acionam PGR contra decisão que absolveu acusado de estuprar menina de 12 anos

Na ação, os parlamentares afirmam que a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça afirma que “o consentimento da vítima menor de 14 anos, sua experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso não afastam a configuração do delito”.

Os parlamentares pedem que o procurador-geral, Paulo Gonet, apresente uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) junto ao STF para que reafirme a norma.

“A construção jurisprudencial que admite relativização baseada em ‘vínculo afetivo’ ou ‘núcleo familiar’ revela-se juridicamente problemática, pois desloca a análise do elemento objetivo etário —eleito pelo legislador como critério absoluto de proteção— para avaliações morais e subjetivas que a própria lei penal buscou afastar”, diz a ação.

Os deputados acrescentam que “a admissão de exceções baseadas em suposto consentimento ou em arranjos afetivos assimétricos reintroduz critérios incompatíveis com o paradigma da proteção integral e com a vedação de proteção insuficiente”.

“Com a ação, queremos que a PGR provoque o STF a tomar decisão que reafirme a lei, e anule e impeça julgamentos absurdos como os do TJMG desta semana”, escreveram os parlamentares nas redes sociais.

“A proteção integral de crianças e adolescentes precisa ser reafirmada para que haja responsabilização e não se normalize o absurdo. Criança não namora, criança não é mãe, estuprador não é pai e nem namorado”, completam.

 





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