Por Augusto Tenório, Raphael Di Cunto eThaísa Oliveira
(Folhapress) – A maioria dos dirigentes do PP se manifestou contra uma coligação com Flávio Bolsonaro (PL) e, assim, barrou a chance de a senadora Tereza Cristina (MS) ser vice na chapa do pré-candidato à Presidência. A decisão ocorreu após o presidente nacional da sigla, o senador Ciro Nogueira (PI), consultar lideranças estaduais da legenda. A senadora Tereza teve antes um encontro com Flávio e aceitou integrar a chapa dele.
Segundo dirigentes ouvidos pela Folha, alguns sob condição de anonimato, a consulta ocorreu entre a quarta e quinta-feira (30). A maioria indicou a preferência pela neutralidade na eleição nacional, com liberação de apoio dos diretórios a Lula (PT), Flávio Bolsonaro ou outros candidatos à Presidência. Há uma margem estreita para o PL articular uma mudança de postura do PP, até 5 de agosto, prazo limite para realização das convenções.
“Abriu-se uma consulta interna com oito integrantes do partido. A maioria foi pela neutralidade. Eu, além de Arthur Lira, Agnaldo Ribeiro e Doutor Luizinho, todos pela neutralidade”, afirmou o deputado Eduardo da Fonte (PE).
Outro líder do PP no Congresso, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PB) afirma que a opção pela independência está bastante consolidada. “É o que eu defendi [ao Ciro], a posição de neutralidade”, diz o parlamentar.
Segundo três aliados que acompanham as negociações, Tereza Cristina conversou com o senador Flávio Bolsonaro na quarta-feira e indicou, pela primeira vez, que aceitaria ser candidata a vice na chapa dele à Presidência da República.
Tereza estava totalmente contrária à ideia, mas foi pressionada nos últimos dias pela família Bolsonaro, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e por lideranças do agronegócio.
A formação da chapa dependeria, porém, de uma composição entre o PL e a federação formada pelo PP, partido dela, e o União Brasil. Politicamente, o grupo teme que um alinhamento atrapalhe a eleição em estados onde Lula é mais forte que Flávio.
Um argumento adicional levantado pelo PP foi a impossibilidade de realização de uma convenção. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu até o dia 5 de agosto como limite para isso. Pela norma interna da sigla, essa reunião precisa ser convocada com, no mínimo, oito dias de antecedência.
Tereza divulgou uma nota nesta quinta dizendo que “nada foi decidido” sobre a possibilidade de ser vice. Ela classificou a conversa com Flávio como “produtiva” e acrescentou que a decisão passa por “acertos partidários”.
“No encontro, produtivo, falou-se pela primeira vez sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido —até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, disse.
Levar Tereza para a chapa de Flávio se tornou uma das principais prioridades do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ele chegou a dizer que ela seria a vice dos sonhos de Flávio, mas que a parlamentar estava decidida a disputar a presidência do Senado no próximo ano.
Uma coligação é importante porque aumenta o tempo de TV e rádio de um candidato e facilita o compartilhamento de fundo eleitoral. Se ficar isolado, Flávio Bolsonaro deve ter 20% a menos de tempo de televisão do que Lula , seu principal adversário.
Além da federação União Brasil-PP, Flávio Bolsonaro tem insistido no Republicanos. O partido, presidido pelo deputado Marcos Pereira (SP), abriu consulta aos diretórios sobre uma eventual coligação com o PL.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), é contra uma aliança com Flávio e defende a neutralidade. O governador Tarcísio, outro nome forte na sigla, defende a coligação com o PL.




