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EUA propõem barreiras de 25% contra o Brasil e ameaçam novo tarifaço


Numa decisão que aprofunda o mal-estar entre Brasil e EUA, o governo de Donald Trump anunciou que concluiu as investigações contra produtos brasileiros e sugere a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros de 25%.

A medida foi tomada depois de uma suposta investigação realizada sobre o comércio bilateral. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva havia se mobilizado para evitar a aplicação do novo tarifaço e o próprio presidente chegou a levar dados aos americanos para alertar que não existiam justificativas para as barreiras.

Para o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o Brasil atua de forma “injusta” no comércio. Pelos próximos dias, o setor privado poderá dar sua opinião sobre a proposta e uma decisão final cabe ao presidente Donald Trump.

“A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 considera que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”, anunciou a Casa Branca.

“Como resultado dessa determinação, o Representante Comercial dos EUA propôs uma ação corretiva para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas”, afirmou.

“Iniciei esta investigação da Seção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA com certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos diversas reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, disse o Embaixador Jamieson Greer.

“Contudo, ainda temos divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuidade do diálogo com o Governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, disse.

Consultas

A Casa Branca agora abre um processo de consultas. Os setores e governos podem apresentar pedidos para comparecer à audiência marcada para 6 de julho, juntamente com um resumo do depoimento, até 22 de junho de 2026. Já os comentários por escrito devem ser enviados até 1º de julho de 2026.

Em 2025, o Brasil havia sido um dos países mais afetados pelo tarifaço de Trump. Naquele momento, porém, a Casa Branca justificou a ação como uma retaliação contra o país por conta da suposta “perseguição” enfrentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Por uma decisão da Corte Suprema dos EUA, tarifas impostas por Trump contra dezenas de países foram consideradas como ilegais. A taxas ao Brasil, que chegaram a superar a marca de 40%, caíram para apenas 10%, o menor patamar entre todos os parceiros comerciais.

Para driblar sua própria Justiça, o governo Trump lançou investigações contra dezenas de países, tratando do caso como se fosse apenas um elemento técnico. Dezenas de cartas e reuniões tentaram evitar a volta das tarifas, inclusive com alertas por parte de empresários americanos sobre o impacto que isso teria para a economia doméstica.

A ameaça de imposição de novas barreiras se soma à decisão, na semana passada, de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Para o governo brasileiro, há uma clara intenção por parte da Casa Branca de promover uma ingerência em assuntos domésticos nacionais e, assim, criar uma turbulência que poderia ser favorável à extrema direita no Brasil.

Em 2025, porém, o tarifaço de Trump contra o país foi transformado em um ativo político no Palácio do Planalto. Lula passou a usar o caso como um alerta da “traição” cometida por Flávio Bolsonaro e pelo PL contra os interesses nacionais.





ICL Notícias

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