Funcionários da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, manifestaram preocupação com o que classificam como favorecimento “óbvio” e “enviesado” a integrantes da família Bolsonaro nas eleições brasileiras de 2026. Em um pronunciamento, trabalhadores da companhia responsabilizaram a direção da big tech por decisões que, segundo eles, podem comprometer a credibilidade do processo democrático.
A manifestação foi assinada por integrantes da seção de trabalhadores da tecnologia do Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação do Reino Unido (Communication Workers Union, CWU). No texto, os funcionários afirmam estar preocupados com as revelações recentes envolvendo a gestão da empresa e apontam o risco de interferência nas eleições de outros países.
“Desde 2016, as inclinações políticas dos executivos e líderes da Meta não são segredo”, afirma o documento, em tradução do inglês.
Os trabalhadores ressaltam, porém, que consideram inédita a aplicação de supostos benefícios políticos de maneira sistemática e perceptível aos usuários. “Mas, até onde sabemos, esta é a primeira vez que favores a políticos como os Bolsonaro são aplicados de forma programática e visível ao usuário, em um grau tão óbvio e enviesado”, diz o pronunciamento.
O texto também expressa receio de que a atuação da empresa prejudique a confiança da população nas instituições democráticas e nas próprias plataformas digitais.
“A última coisa que queremos é assistir de braços cruzados ao nosso empregador interferindo nos processos democráticos de países como o Brasil”, afirmam os funcionários.
Segundo o grupo, a perda de credibilidade das eleições e dos políticos também pode afetar a confiança nas tecnologias desenvolvidas pela companhia. Os trabalhadores avaliam que esse cenário abre um precedente perigoso para o futuro.
“Nós, funcionários da Meta, queremos construir tecnologias e plataformas que milhões de pessoas usem e apreciem”, diz o texto. “Ao minar a credibilidade das eleições e dos políticos, isso também mina injustamente a credibilidade do que construímos e abre um precedente extremamente perigoso para o futuro”.
Ao final do pronunciamento, os empregados pedem que a empresa respeite os princípios democráticos. “Pedimos que a justiça e a democracia sejam respeitadas”, conclui o documento.
Neste sábado (24), um protesto contra as intervenções da Meta nas eleições brasileiras foi realizado em frente à sede da empresa em King’s Cross, no centro de Londres. A manifestação foi organizada pela “Aliança pela Democracia e Soberania Brasileira”, um coletivo de movimentos que reúne brasileiros na Inglaterra.

Pronunciamento na íntegra traduzido do inglês
“Como funcionários da Meta, estamos preocupados com as revelações dos últimos dias e semanas a respeito da nossa direção.
“Desde 2016, as inclinações políticas dos executivos e líderes da Meta não são segredo.
“Mas, até onde sabemos, esta é a primeira vez que favorecimentos a políticos como os Bolsonaro são implementados de forma sistemática e visível aos usuários em um grau tão evidente e enviesado.
“Nós, funcionários da Meta, queremos construir tecnologias e plataformas que milhões de pessoas usem e apreciem.
“A última coisa que queremos é ficar de braços cruzados, assistindo ao nosso empregador interferir nos processos democráticos de países como o Brasil.
“Ao minar a credibilidade das eleições e dos políticos, a empresa também prejudica injustamente a credibilidade daquilo que construímos e estabelece um precedente extremamente perigoso para o futuro.
“Pedimos que a imparcialidade e a democracia sejam respeitadas.”




