As regras estabelecidas para o debate presidencial do primeiro turno na TV Globo, às 21h30 da próxima quinta-feira, 1º de setembro, estabelecem que apenas quatro candidatos seriam convidados: o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal oponente dele, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e o psiquiatra Augusto Cury (Avante). O confronto político está programado para ter duas horas de duração, possui 30 minutos de margem até a 0h da sexta-feira, quando propagandas eleitorais no rádio e na TV e impulsionamento de posts nas redes estarão proibidos.
O formato de perguntas diretas entre os candidatos nos quaro blocos e temas livres em dois deles animam a cúpula da campanha petista e o próprio Lula a confirmarem a participação. Eles creem que dessa forma haverá menos chances para armadilhas destinadas a acantonar o presidente como “adversário comum de todos”. Porém, alas mais à esquerda do partido e a turma ligada à primeira-dama Rosângela Silva são contra a presença do presidente da República nos estúdios da TV Globo, no Rio. Consultado pelo presidente, de quem foi ministro-chefe da Secom desde o fim do primeiro mandato e por todo o segundo mandato, o jornalista Franklin Martins opinou pela ida aos estúdios globais na quinta-feira. Essa opinião tem peso específico capaz de fazer o petista mudar o rumo de qualquer decisão já tomada.
Gilberto Kassab assegurou a interlocutores do PT que Ronaldo Caiado comparecerá ao programa com a responsabilidade de quem deseja consagrar seu nome como liderança de uma “direita democrática” que perdeu o lugar na História do país, porém, não se venderá a acenos de quem não o respeita no íntimo: Flávio Bolsonaro, em especial, e o clã Bolsonaro, como um todo.
A vaidade intelectual de Augusto Cury, por sua vez, é vista como grande obstáculo a impedir associação pontual entre ele e candidato do PL. Esse ambiente minimamente controlado e a certeza e que a exibição de provocações sem resposta nas redes, em caso de ausência de Lula, é muito mais derrogatória e prejudicial ao candidato à reeleição do que um desempenho mediano ou “bola dividida” no embate. Há ainda certeza de que a extrema-direita impulsionará seus posts por meios ilegais e a partir das fazendas de likes existentes fora do Brasil.
Lula define “sim” ou “não” nesta 3ª
A maneira assertiva, tranquila, direta e firme adotada por Lula nas respostas à bancada do Canal Livre da TV Bandeirantes em programa gravado no sábado e exibido no domingo (27/09) à noite sacramentou a decisão do comando partidário em favor da presença do petista no debate de quinta-feira.
A assessoria jornalística do petista já esmiuçou temas que são difíceis para Flávio Bolsonaro responder – sobretudo a contabilidade da relação financeira e de amizade profunda estabelecida entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, o desconhecimento de detalhes das carências sociais e administrativas do Brasil, as desastrosas decisões anticientíficas e desumanas tomadas pelo pai dele, Jair Bolsonaro, durante a pandemia e os laços que o ligam às milícias do Rio de Janeiro e a diversas facções do crime organizado.
O PT tem certeza de ter preparado um rol de questões absolutamente irrespondíveis pelo candidato do PL a serem feitas diretamente para ele uma vez que a mídia tradicional não cuidou de fazê-las no curso da campanha. O partido se certificou, também, de que não haverá nenhuma hipótese de concessão de benefícios ao senador fluminense no âmbito do julgamento de direitos de resposta e de fuga direta às respostas.
Com mais de 47% dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e contabilizada uma abstenção na casa dos 18%) no primeiro turno de acordo com pesquisas internas e encomendadas por empresas aliadas, o cálculo fino que se faz dentro da campanha é se a chance de captura do voto “isentão”, de eleitores que dizem não serem nem bolsonaristas, nem lulistas, se dará durante uma entrevista a podcast alinhado à esquerda – qualquer que seja ele – ou se expondo ao crivo de um programa jornalístico em emissora “controladamente hostil” e obtendo bom desempenho.
Apesar de não haver ainda decisão final sobre a ida ou a ausência ao debate, a preparação da participação de Lula está em sintonia com as alterações da campanha de reeleição ocorridas nas duas últimas semanas. Mais entregas sociais, proibição de apostas esportivas na modalidade bet, empenho na aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, reafirmação e ampliação dos programas sociais de todos os mandatos do PT e denúncia das conexões financeiras e de amizade pessoal entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, além do repúdio a quaisquer projetos de rebaixamento da condição de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A confirmação da presença presidencial pou da justificativa de falta ao programa de quinta-feira, da TV Globo, deve ser feita ainda nesta terça-feira, 29 de setembro.
Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) não preenchem os critérios de integrarem partidos com ao menos cinco representantes na Câmara dos Deputados e nem contarem com no mínimo 7% de intenções de voto em pesquisas pré-eleitorais. Por isso não estarão nos estúdios do Projac na noite de 1º de setembro. Porém, o regulamento global faculta à emissora discricionariedade de convidar, ou não, paticipantes extraordinários caso ocorra desistências dentre os originalmente chamados a debater no último dia de campanha.






