A inadimplência entre associados do Sicredi que fizeram apostas online em 2025 é 40% maior do que entre clientes que não utilizaram as bets no mesmo período, segundo levantamento realizado pela instituição financeira.
A pesquisa analisou 1,3 milhão de associados com operações de crédito vigentes em julho de 2026 e cruzou essas informações com os registros de apostas realizadas entre janeiro e dezembro do ano passado.
Os resultados também apontaram uma relação entre a intensidade das apostas e o atraso no pagamento de dívidas. Entre os apostadores, a inadimplência aumenta conforme crescem a frequência e os valores destinados aos jogos.
Levantamento ainda é preliminar
Os resultados mostram uma associação entre apostas e dificuldades financeiras, mas não permitem concluir, isoladamente, que as bets sejam responsáveis pelo aumento da inadimplência.
A análise ainda está sendo aprofundada e não apresenta recortes por renda, localização, atividade econômica ou perfil dos apostadores. Também não detalha a quantidade de apostas realizadas por cada grupo nem a participação dos clientes em linhas específicas de financiamento.
O resultado encontrado pelo Sicredi é superior ao identificado em outro estudo, realizado pelo Insper em parceria com a Stone. Nesse levantamento, a proporção de pessoas com pagamentos atrasados foi, em média, 20% maior entre apostadores.
Os dados do Sicredi foram apresentados ao Banco Central, que acompanha os possíveis efeitos das apostas online sobre o endividamento das famílias brasileiras.
Banco Central acompanha impacto das bets
A autoridade monetária também avalia a relação entre apostas e operações vinculadas ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), linha de crédito destinada a pequenos produtores rurais.
O tema já vinha sendo abordado publicamente pelo Banco Central. Em evento do setor financeiro realizado em setembro, o diretor de Fiscalização da instituição, Aílton de Aquino, afirmou que as bets têm participação relevante no endividamento das famílias e disse que o BC acompanha o assunto.
A expansão das apostas online também ocorre em um momento de elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas, aumentando a preocupação sobre a capacidade de pagamento de consumidores que destinam parte de seus recursos aos jogos.
Governo discute novas restrições
O impacto das bets sobre a renda e o endividamento também entrou no debate sobre novas regras para o setor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender publicamente na sexta-feira (18) restrições mais duras às plataformas. O presidente já afirmou que, por sua vontade pessoal, encerraria as operações das bets no país, embora o governo ainda não tenha anunciado uma medida nesse sentido.
Entre as possibilidades discutidas estão novas limitações à publicidade e ao patrocínio de casas de apostas. Empresas do setor argumentam que restrições às plataformas regulamentadas podem favorecer sites clandestinos, que operam fora das exigências estabelecidas pela legislação brasileira.
O Ministério da Fazenda afirma que ainda não há uma decisão sobre novas medidas.
O Sicredi reúne mais de 90 cooperativas de crédito e 10,5 milhões de associados em todos os estados. Em julho, a instituição administrava R$ 502 bilhões em ativos e mantinha uma carteira de crédito de R$ 297 bilhões.




