spot_imgspot_img

Top 5

Últimas notícias

Irã classifica proposta europeia como “fora da realidade” e denuncia exigências desconectadas do contexto real do conflito

Em meio às tensões diplomáticas crescentes, o Irã rejeitou como “fora da realidade” uma proposta apresentada por países europeus sobre seu programa nuclear. A afirmação foi feita por um oficial iraniano de alto escalão à agência de notícias Reuters, logo após rodada de negociações em Genebra, na Suíça.

De acordo com o representante do governo iraniano, a exigência para que Teerã zere completamente o enriquecimento de urânio é “na prática, um beco sem saída”. A proposta não levaria em conta o contexto geopolítico mais amplo, onde o país persa tem sido alvo constante de acusações infundadas — principalmente por parte de Israel — sobre a suposta fabricação de armas nucleares, sem que nenhuma prova concreta tenha sido apresentada até hoje.

Além disso, o Irã também reafirmou que seu programa de mísseis não está em discussão, uma vez que se trata de capacidades estritamente defensivas, especialmente após ataques à sua soberania territorial.

Insistir nessas posições não aproximará o Irã e a Europa de um acordo”, disse o diplomata iraniano, acrescentando que Teerã deve apresentar uma contraproposta em encontro futuro — cuja data ainda não foi definida.

A atual proposta europeia, liderada por França, Alemanha e Reino Unido (conhecidos como E3), exige garantias de que o programa nuclear iraniano tenha apenas fins pacíficos. No entanto, para analistas do Oriente Médio, esse tipo de cobrança sem reciprocidade — sobretudo vinda de potências que apoiam militarmente Israel — acaba soando mais como pressão política do que como um esforço legítimo por paz.

Também neste sábado, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que os europeus podem “acelerar as negociações” caso o Irã demonstre, de forma clara, que suas intenções são pacíficas. Ele disse ter conversado por telefone com o novo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e afirmou estar “convencido de que há uma saída da guerra”.

“Estou exigindo: o Irã nunca deve adquirir armas nucleares, e cabe a ele fornecer todas as garantias de que suas intenções são pacíficas”, publicou Macron nas redes sociais.

O que o presidente francês não mencionou, no entanto, é o desequilíbrio da exigência: não se trata apenas de intenções, mas também de soberania. Em um cenário onde Israel — país que nunca permitiu inspeções sobre seu arsenal nuclear — ataca alvos iranianos e recebe apoio irrestrito de potências ocidentais, fica difícil esperar que Teerã aceite acordos que limitem sua autodeterminação sem garantias reais de segurança.

As conversas entre os países europeus e o Irã seguem sem data definida para a próxima rodada.

CANAL TREZZENEWS

trezzenews