Por Maria Clara Alcântara
Imagens obtidas pelo ICL Notícias mostram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cumprimentando Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante o lançamento da CNN Money, em 4 de novembro de 2024, na Casa Fasano, em São Paulo. O encontro ocorreu meses depois de Vorcaro iniciar conversas com executivos da CNN Brasil sobre sua participação no novo canal de notícias econômicas.

O registro ganha relevância diante das mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, que revelam as negociações entre o banqueiro e a cúpula da emissora para o lançamento da CNN Money. Nas conversas, Daniel demonstrou interesse em participar das decisões editoriais do canal e discutiu a destinação de recursos do Banco Master para o projeto.
Em 18 de setembro de 2024, a então responsável pelo marketing do banco, Ana Matos, encaminhou a Vorcaro informações sobre o lançamento do canal. Em resposta, ele afirmou que estava entrando na CNN com Rubens Menin, controlador da emissora, e acrescentou que pretendia integrar o conselho editorial.

Em outra conversa, de 26 de setembro de 2024, Ana Matos apresentou uma proposta para que o Banco Master se tornasse um dos patrocinadores fundadores da CNN Money. Segundo as mensagens, a emissora teria apresentado uma cota de R$ 12 milhões por 12 meses. A executiva sugeriu, porém, direcionar para o novo canal os R$ 10 milhões anuais que, segundo ela, o banco já investia em publicidade na CNN Brasil.
A proposta incluía a possibilidade de restringir quais empresas poderiam patrocinar o canal e de indicar alguém para acompanhar o conteúdo editorial, de modo a avaliar se ele atendia aos interesses do banco. Vorcaro respondeu: “Concordo com tudo”.

As mensagens também registram que, em outubro de 2024, Vorcaro mencionou um primeiro aporte como acionista. No entanto, os diálogos publicados pelo ICL não esclarecem completamente como as negociações foram concluídas. A participação do Banco Master entre os cotistas-fundadores da CNN Money foi posteriormente noticiada pela revista Fórum.
O canal foi lançado em 4 de novembro de 2024, na Casa Fasano, em São Paulo. Entre os cotistas-fundadores citados na reportagem estavam o Itaú Personnalité, o Banco Inter, a Qualcomm, a Claro e a Ambipar, além do Banco Master.
Master também patrocinou evento da CNN
As negociações não se limitaram ao lançamento do canal. As conversas entre Vorcaro e Ana Matos mostram que o Banco Master também patrocinou o CNN Talks, evento promovido pela emissora em agosto de 2024.
Segundo as mensagens, a CNN teria inicialmente solicitado R$ 4 milhões pelo patrocínio. Após negociações, Ana Matos informou que havia fechado o acordo por R$ 1 milhão. Os diálogos mostram ainda que Vorcaro e a executiva discutiam pedidos de recursos feitos por representantes comerciais da emissora.
Em abril de 2025, as conversas voltaram a abordar a relação entre o banco e a emissora. Na ocasião, Vorcaro discutiu com Ana Matos a possibilidade de conceder uma entrevista à CNN Brasil sobre o balanço do banco e a operação de venda de parte de suas ações ao Banco de Brasília (BRB). A executiva defendeu que as perguntas fossem combinadas previamente e que o banco definisse os temas que gostaria de abordar.
Vorcaro acabou decidindo enviar em seu lugar o economista-chefe do Master, Paulo Gala, que participou de uma entrevista ao vivo no CNN Money. Procurado pelo ICL Notícias, o jornalista Fernando Nakagawa afirmou que conduziu a conversa normalmente e que não se lembrava de interferências na pauta.
O Banco Central rejeitou a operação de compra do Master pelo BRB em setembro de 2025 e decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro do mesmo ano.
CNN nega sociedade e interferência editorial
Em nota ao ICL Notícias, a CNN Brasil afirmou que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da emissora ou da CNN Money e que Rubens Menin é seu único controlador. A empresa confirmou que o Banco Master foi anunciante, mas declarou que os contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade.
A emissora também afirmou que os eventos patrocinados são organizados pela área comercial, identificados como conteúdo patrocinado e não interferem nas decisões editoriais. Segundo a CNN, a redação realiza apenas a cobertura jornalística desses eventos.




