Por Cleber Lourenço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu no Palácio da Alvorada, na noite de quarta-feira (19), dois nomes diretamente envolvidos na campanha em São Paulo para avaliar os primeiros atos eleitorais e organizar os próximos passos no estado. Participaram do encontro Fernando Haddad, candidato ao governo paulista, e Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha presidencial em São Paulo. A conversa durou cerca de três horas e meia.
Segundo Marco Aurélio, Lula demonstrou otimismo com o início da campanha e discutiu as próximas agendas, com a intenção de dar atenção especial a São Paulo sem abandonar compromissos em outros estados.
Um dos pontos avaliados foi o ato realizado na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na abertura da campanha. Marco Aurélio estimou a presença de mais de 40 mil pessoas e classificou a mobilização como “voluntária e espontânea”.
“Fizemos um balanço superpositivo do início da campanha. Ele diz que segue muito otimista com a possibilidade de vitória. Gostamos muito do evento na Vila Euclides”, afirmou.
O encontro também serviu para definir os próximos compromissos de Lula. “O presidente quer priorizar São Paulo, vai passar por vários estados da Federação. Esse foi o tema”, disse Marco Aurélio.
Além de coordenar a campanha presidencial em São Paulo, Marco Aurélio é advogado de Fábio Luís Lula da Silva. Segundo ele, a investigação envolvendo o filho do presidente apareceu apenas lateralmente durante a reunião.
Marco Aurélio contou ao ICL Notícias que Lula afirmou que Fábio Luís deve prestar esclarecimentos caso seja chamado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade.
“Ele falou: ‘Olha, se a Polícia Federal ou qualquer autoridade quiser alguma explicação, ele tem que dar. Ele não está acima da lei’”, relatou o advogado.
Segundo Marco Aurélio, essa foi a manifestação de Lula sobre o caso durante o encontro. O advogado disse ter concordado com a necessidade de Fábio Luís prestar esclarecimentos, mas ressaltou que também cobrará que ele não seja tratado de maneira desigual durante a investigação.
A Polícia Federal investiga se Fábio Luís cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção. Segundo Marco Aurélio, Lula espera que o filho esclareça os questionamentos apresentados pelas autoridades.
“Ele tem repetido que o Fábio precisa se explicar, assim como ele fez. Ele, presidente, foi acusado de forma leviana e injusta de várias coisas e comprovou a inocência dele. Ele espera efetivamente que o filho faça o mesmo.”
Crítica aos vazamentos
Ao comentar a investigação com a reportagem, Marco Aurélio criticou a divulgação de informações dos casos e acusou setores da Polícia Federal de promover vazamentos seletivos. As declarações são avaliações do advogado e não posições que ele tenha atribuído a Lula durante a reunião no Alvorada.
“O que está acontecendo é um vazamento seletivo e criminoso por parte da Polícia Federal”, afirmou.
Marco Aurélio ressalvou que não dirige a acusação à corporação como um todo. Disse respeitar a PF e reconhecer os esforços do diretor-geral, Andrei Rodrigues, para manter a instituição funcionando de maneira harmônica.
Na avaliação do advogado, o próprio diretor-geral estaria entre os prejudicados pelos episódios.
“O Andrei é vítima desses vazamentos criminosos e clandestinos. Ele é vítima, o André Mendonça é vítima, o próprio Flávio Dino também.”
Marco Aurélio afirmou confiar nas três autoridades e sustentou que os vazamentos partem de setores da corporação, e não daqueles que comandam ou acompanham as investigações.
Apesar das críticas, afirmou que Fábio Luís deverá prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
“Interessa ao Fábio, mais do que a qualquer outra pessoa, o esclarecimento de toda e qualquer dúvida que porventura possa ter surgido em razão da atividade pessoal e profissional do Fábio”, afirmou.






