Deputados e senadores democratas articulam uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua passagem pelos EUA a partir deste domingo. O ICL Notícias apurou que o encontro tem sido já trabalhado por diplomatas e assessores parlamentares nos EUA e poderia ocorrer na segunda-feira. Entre os possíveis nomes na reunião está o de Bernie Sanders, senador que representa a ala mais progressista entre os democratas.
O encontro ocorre num momento chave. O Brasil vive eleições e a ingerência de Donald Trump é uma realidade. Durante seu discurso para abrir a Assembleia Geral da ONU, Lula não citará o nome do presidente americano. Mas dará recados de que interferir nas eleições de qualquer país é um ato inaceitável.
Para observadores, costurar um apoio aos resultados da eleição é estratégico. Grupos da sociedade civis têm percorrido os EUA e a Europa em busca de convencer governos a declarar um reconhecimento da eleição nacional, principalmente diante do risco de que Trump e seus aliados latino-americanos decidam não reconhecer o vencedor.
Em 2022, foi o governo do democrata Joe Biden que enviou uma delegação ao Brasil para alertar aos militares nacionais que os EUA não apoiariam uma aventura golpista no país.
Além da comitiva de parlamentares, Lula receberá o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. A agenda, porém, é outra e os encontros não devem coincidir.
Democratas americanos, de fato, vem criticando a forma pela qual Trump vem tratando o Brasil e transformando até mesmo tarifas em armas políticas para beneficiar a extrema direita. No ano passado, os parlamentares americanos enviaram três cartas para o presidente, questionando suas ações para apoiar golpistas brasileiros.
Em dezembro, uma delas dizia:
“Condenamos suas múltiplas e sem precedentes tentativas de minar a democracia no Brasil e seus esforços fracassados para proteger o ex-presidente brasileiro Bolsonaro de ser responsabilizado por tentar um golpe. (Suas políticas em relação ao Brasil só prejudicaram a liderança dos EUA na região. As tarifas aceleraram os esforços do Brasil e outros países a se distanciarem dos EUA, e a China rapidamente aproveitou a oportunidade para se colocar como ‘defensor’ do Sul global”.
Em setembro de 2025, outra carta dos democratas apontava que Trump utilizava tarifas para “defender colega golpista”.
Em julho, outro documento dos democratas dizia que o tarifaço:
“…têm como objetivo principal forçar o sistema judicial independente do Brasil a interromper o processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Interferir no sistema judiciário de outra nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação.
O Sr. Bolsonaro é um cidadão brasileiro que está sendo processado em tribunais brasileiros por supostas ações sob sua jurisdição. Ele é acusado de trabalhar para minar os resultados de uma eleição democrática no Brasil e de planejar um golpe de Estado. Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses procedimentos em nome de um amigo é um grave abuso de poder, mina a influência dos Estados Unidos no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região. O anúncio do seu governo, em 18 de julho de 2025, de sanções de visto contra funcionários do Judiciário brasileiro que trabalham no caso do Sr. Bolsonaro indica – mais uma vez – a disposição do seu governo em priorizar sua agenda pessoal em detrimento dos interesses do povo americano.





