Por Raphael Di Cunto
(Folhapress) – O presidente Lula (PT) prometeu empoderar os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na montagem da base aliada do governo no novo mandato e atuar mais afinado com o Legislativo nos próximos quatro anos.
O petista quer aumentar a fidelidade da base e concentrar a entrega de ministérios em grupos de congressistas que realmente votem com o governo. No atual mandato, partidos comandavam ministérios, mas sistematicamente votaram contra propostas de interesse do Executivo, se diziam independentes e apoiaram outras candidaturas presidenciais.
Lula afirmou na conversa com Motta e Alcolumbre na segunda-feira (26), um dia após ser reeleito, que sabe das dificuldades que enfrentará com o crescimento da direita no Congresso Nacional na próxima legislatura e que pretende montar uma “frente ampla” para isolar os radicais. É também um interesse do centrão, que perdeu espaço para o PL na eleição.
Disputa por ministérios
Esses partidos indicaram uma predisposição de compor o novo governo. PP, Republicanos e União Brasil afirmam que a neutralidade no primeiro turno da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) permite que desta vez façam parte do governo desde o começo sem constrangimentos.
Em 2022, eles apoiaram a candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, por isso, demoraram a ingressar na Esplanada dos Ministérios sob o petista. A indicação de ministros só ocorreu após as primeiras crises de governabilidade, e mesmo assim esses partidos nunca aderiram formalmente.
O presidente reeleito ainda não sinalizou quais espaços oferecerá ao grupo na nova gestão, mas já há movimentos e discussões dentro dos partidos. O Republicanos aponta o deputado Silvio Costa Filho (PE) como favorito para voltar à Esplanada. No União Brasil, o deputado Moses Rodrigues (CE) busca apoio dos colegas para ser indicado.
No PP, fala-se no deputado Aguinaldo Ribeiro (PB) ou na senadora Daniella Ribeiro (PB) para representar o partido. Eles são tio e mãe do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), da ala da sigla que mais se empenhou na campanha pela reeleição de Lula.
A conversa do petista com os chefes do Legislativo durou 1h40 e não tratou de projetos específicos, embora Lula tenha pedido prioridade para a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, que dará poderes à União para coordenar ações na área com estados e municípios e, por isso, precederá a criação de um ministério específico para o tema.
A maior parte da conversa foi de discussão sobre os motivos da virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, causos sobre o segundo turno e avaliações sobre o cenário político do país.
Segundo contaram Motta e Alcolumbre a outros congressistas, Lula disse considerar que nunca mais na história do Brasil alguém terá quatro mandatos presidenciais como ele e, portanto, pretende atuar para deixar um legado ainda maior. Ele prometeu criar novas formas de ouvir a população e dialogar mais com o centro político para isso.
O presidente convidou Alcolumbre e Motta para o acompanharem em viagem à Ásia em novembro. Ele participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31) na Turquia em 11 e 12 e da Cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) nas Filipinas nos dias 14 e 15. Eles ficaram de avaliar a disponibilidade em agenda.
Alcolumbre disse a aliados que não tratou nessa primeira conversa da tentativa de emplacar novamente o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco no STF (Supremo Tribunal Federal) antes do fim do atual mandato.
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, estremeceu as relações do presidente do Senado com Lula, e o assunto agora está a cargo de ministros do Supremo que possuem interlocução com o petista.





