📊 Análise política
Por: Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada
O Grito Belicista de uma Educadora e o Risco de uma Política de Segurança em Metástase no Amazonas:
A segurança pública não pode ser refém do discurso fácil. É a ciência, e não o populismo bélico, que deve guiar as políticas do Estado.
A recente e irrefletida declaração da pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo Seffair (PL), ao parabenizar uma controversa e trágica operação policial no Rio de Janeiro, soa como um alarme. Não apenas pelo teor da sugestão de um “banho de sangue” na segurança amazonense, mas pela profunda dissonância entre o seu papel de educadora e a defesa de um modelo comprovadamente falido.
Ao afirmar que “quando o Estado age com firmeza, o crime morre” e ao sugerir que o governador Wilson Lima deveria “agir da mesma forma”, a pré-candidata, que é gestora de uma universidade privada, abraça a ultrapassada e perigosa política de “tolerância zero”. A história nos mostra que esse caminho, ao invés de pacificar, resulta em massacres, no aprofundamento da crise de segurança e na vitimização desproporcional de comunidades pobres e periféricas. A própria gestão do Rio de Janeiro, elogiada por Seffair, está manchada por três das maiores chacinas da história recente do estado, evidenciando o fracasso do modelo repressivo puro.
O episódio elogiado por Seffair, a Operação “Contenção” nos Complexos da Penha e Alemão, revela o ponto mais baixo da segurança pública recente no Brasil. Os números, mesmo em apuração, já a classificam como a ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, superando o próprio Massacre do Carandiru em número de vítimas.
Enquanto o governo fluminense tenta justificar o número inicial de 64 mortes, a contagem da Defensoria Pública e dos moradores aponta para mais de 130 óbitos, incluindo 4 policiais.
Os relatos que emergem do Rio de Janeiro são de terror:
Vítimas da Intolerância: Foram reportadas vítimas civis de bala perdida e relatos gravíssimos de corpos com sinais de tortura e execução, incluindo ferimentos de faca e decapitação, o que motivou uma investigação urgente do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Preço da Inexperiência:
A operação custou a vida do policial civil Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, que havia ingressado na corporação há apenas cerca de dois meses, expondo a fragilidade do planejamento e a exposição de agentes novatos a riscos extremos e desnecessários.
Este é o “modelo de firmeza” que a Professora Maria do Carmo Sefair sugere para o Amazonas. Um modelo que, além de ser um desastre humanitário, custa a vida de quem está na linha de frente e aprofunda o abismo entre o Estado e a população.
A Ciência Discorda do “Banho de Sangue”
O que a Professora Seffair parece ignorar é o consenso da comunidade acadêmica e dos principais think tanks de segurança pública no Brasil, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Estudos e artigos científicos sobre o tema refutam a eficácia de políticas meramente repressivas. A segurança pública eficaz e sustentável exige um modelo híbrido, que priorize a prevenção, a inteligência, o controle democrático do território e, acima de tudo, a inclusão social.
Conforme a literatura especializada, o caminho é a combinação de “repressão qualificada, inovação tecnológica e ações sociais preventivas”, promovendo um modelo equilibrado de segurança que atenda às demandas da população de maneira equitativa (Ref. Análise das Políticas de Segurança Pública, IFRO, 2025).
A postura da pré-candidata, portanto, é uma traição ao próprio campo da educação. Como gestora e educadora, Maria do Carmo Seffair deveria ser a principal defensora de que a Educação é a ferramenta primordial para “invadir” as comunidades e periferias, e não o aparato bélico do Estado. O debate contemporâneo defende a “segurança pública com cidadania”, onde a educação e a oportunidade são pilares para desarticular o crime organizado, e não a violência do Estado.
O Contraponto Histórico: A Segurança pela Educação
A história recente do próprio Rio de Janeiro oferece um poderoso contraponto científico ao modelo do “banho de sangue”.
Há mais de 30 anos, as administrações de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro implementaram os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), popularmente conhecidos como “Brizolões”. Este projeto foi a materialização de uma política que entendia a segurança pública como um subproduto da cidadania plena e da educação de qualidade. Os CIEPs eram escolas de tempo integral que ofereciam três refeições diárias, atendimento odontológico, atividades culturais, esportivas e apoio psicossocial.
Darcy Ribeiro definiu a iniciativa como a “única arma capaz de desarmar a bomba da violência” ao “tirar as crianças da rua e dar-lhes futuro”. Esse projeto é um exemplo histórico de como o Estado pode “invadir” as comunidades com a Inteligência Social — Educação e Serviço Social — e não com a força bruta. Ao garantir a permanência da criança e do adolescente em um ambiente de oportunidades e direitos, o projeto atacava as raízes da violência e da marginalidade.
O contraste entre este modelo educacional e o “modelo de metástase” repressivo defendido hoje por Maria do Carmo Seffair, uma educadora, faz o Amazonas e seus eleitores questionarem:
Será que vamos cair neste discurso fácil e eleitoreiro, bélico sobre tudo? A pré-candidata demonstra um pseudo-conhecimento sobre a segurança pública ao defender uma tática que não apenas custa vidas de civis e de policiais, mas também se provou ineficaz a longo prazo.
Dados refrescantes:
Tinha mais fuzis (e novos) na mansão do vizinho de Bolsonaro no condomínio da Barra da Tijuca em uma operação que não deu um tiro se quer. 117 fuzis contra 93 fuzis e uma chacina. Mais cocaína encontrada no avisão de Bolsonaro 39 quilos do que na operação desta terça feira. Quem assinou um decreto para liberar os CACS? Algum portador de CAC já foi preso vendendo fuzil para facções?
A propósito: O governador Wilson Lima também elogiou o governador do Rio de Janeiro pelo banho de sangue! Ligou pro autor da chacina e o parabenizou! Gravou vídeo e é isso!!! Eleições 2026 chegando!!!
O Amazonas merece uma educadora sem educação como solução? O Amazonas não merece uma política de segurança pública em estado de METÁSTASE.
O Estado não pode se dar ao luxo de seguir o caminho do massacre; a ciência aponta para o caminho da inteligência, da prevenção e, sobretudo, da educação.
Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada






