Por: Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada
📊 Análise Política
Na complexa e, por vezes, cruel arena da política amazonense, o Partido Liberal (PL), legenda que ostenta a chancela do ex-presidente Jair Bolsonaro, transforma-se em palco de uma autêntica guerra civil de bastidores, maquiada por notas oficiais de unidade e sorrisos protocolares em Brasília.

A recente movimentação de Maria Do Carmo Seffair, que busca a reafirmação de sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas com o aval da cúpula nacional do PL, desenha um cenário de profunda fissura interna, onde a ambição individual ameaça implodir a estratégia partidária para 2026.
As informações que circulam e os fatos observados revelam uma teia de interesses cruzados, onde o projeto de uma candidatura única e forte é sabotado por manobras de grupos internos.
A Batalha Interna e a Milícia Digital de Alberto Neto
O ponto fulcral do conflito reside na disputa pela cabeça de chapa para o Governo do Estado. De um lado, Maria Do Carmo Seffair, cuja articulação com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e o alinhamento com Bolsonaro, a posicionam como uma opção de peso, a despeito de sua origem política anterior ligada ao ex-ministro Alfredo Nascimento (PL), um nome da velha guarda com histórico no PT e PR. A primeira visita a Brasília, levada por Nascimento, e a segunda, solo, garantindo a foto com Valdemar, são passos calculados em um xadrez de poder. (Mas perceberam que Alberto nunca aparece nessas empreitadas, correto?)
Do outro lado, emerge a figura do Deputado Federal Capitão Alberto Neto. A narrativa de que Maria Do Carmo foi a “causadora” de sua derrota na eleição municipal em Manaus, em função da pauta impopular do IPTU (embora, segundo dados públicos, Maria do Carmo tenha apoiado a campanha de Alberto Neto com doações em 2024, indicando uma relação pregressa), serve de combustível para a “milícia digital” atribuída ao seu entorno.
O objetivo tático é claro: fragilizar a imagem e a candidatura de Sefair para pavimentar o caminho de Alberto Neto ao Governo, num clássico movimento de fogo amigo. A virulência desses ataques é a prova cabal de que a guerra não é externa, mas sim um conflito intestino pela primazia da indicação.
O Xadrez de 2026 e os Movimentos de Peças
O cenário se complexifica com as movimentações dos outros atores:
* Wilson Lima (União Brasil/outras alianças): A aliança silenciosa e a espera pelo apoio do Governador Wilson Lima por parte de Alberto Neto, revelada pela omissão crítica do Deputado em temas nevrálgicos como a saúde pública (Metástase) e a segurança pública (Metástase) do Amazonas, evidenciam um acordo de bastidores. O plano sugerido é que Lima almeja o Senado Federal. A inação de Alberto Neto em relação aos problemas estaduais é uma estratégia de aguardar a bênção do atual governador, o que compromete sua postura como fiscalizador e alternativa política.
* Alfredo Nascimento e Salazar:
A tensão entre Alfredo Nascimento e Salazar, este último buscando a candidatura a Deputado Estadual, enquanto Nascimento o pressiona pela Federal (em busca de uma “escada” para seu próprio retorno), é um exemplo de como os projetos pessoais de base (e não a ideologia) dominam o jogo. A disputa entre a cadeira Estadual e a Federal expõe a fragilidade das lealdades e a prioridade do clã Nascimento em preservar seu capital político.
* A Nota de “União” de Chico Preto: A nota emitida pelo Secretário Estadual do PL, Chico Preto, que é ele próprio um possível pré-candidato ao Senado, clamando por união, é o verniz diplomático que a direção partidária tenta aplicar sobre a fervura interna. A necessidade de emitir tal nota é, por si só, um reconhecimento da desunião. O “PL unido” é a peça de teatro montada para o eleitorado, enquanto nos bastidores a disputa é ferrenha.
Projeção
A conjuntura atual do PL no Amazonas não é de unidade, mas sim de uma prévia eleitoral interna de alta intensidade. A guerra deflagrada pela “milícia digital” de Alberto Neto contra Maria Do Carmo Seffair, a ambição de Wilson Lima pelo Senado e a briga por espaços na família Nascimento e que inclusive o irmão de Alfredo Nascimento é funcionário do governador, são os pilares de um partido que, ideologicamente alinhado a Bolsonaro, se mostra pragmático e fragmentado localmente.
A ausência de crítica de Alberto Neto aos problemas de Saúde e Segurança Pública, classificados como METÁSTASE, demonstra um cálculo frio: o poder da máquina governamental de Wilson Lima é mais valioso do que a coerência na oposição.
A candidatura de Maria do Carmo, ainda que sorridente em Brasília, está sob forte ataque e sua capacidade de sobreviver à “guerra” do próprio partido será o termômetro da força real do aval de Bolsonaro no estado. Se o PL não conseguir unificar suas forças em torno de um nome, apresentará uma chapa enfraquecida e dividida em 2026, abrindo espaço para concorrentes externos capitalizarem sobre o caos interno da principal força bolsonarista no Amazonas. O que se vê no PL é a anarquia da ambição pessoal disfarçada de fervor ideológico. Lá vai eu me desculpar pela redundância mais uma vez: METÁSTASE NO CAOS!
Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada





