Por Raphael Di Cunto e Carolina Linhares
(Folhapress) – Em busca de garantir o voto dos congressistas de direita, o senador Rogério Marinho (PL-RN) pretende viajar pelo país para mobilizar a base bolsonarista a favor de sua candidatura à presidência do Senado.
O candidato planeja convidar o senador Efraim Filho (PL-PB), um dos principais aliados de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para coordenar a campanha à Mesa Diretora.
A estratégia de Marinho, segundo quatro aliados, parte de dois pontos. Um é fidelizar os votos dos senadores eleitos pela direita, mas que poderiam votar em Alcolumbre pelas relações pessoais e porque o voto é secreto. O outro é tentar obter pelo menos mais três votos para atingir os 41 necessários e eleger-se para comandar o Congresso Nacional.
A conta dos aliados de Marinho é a de que o senador teria 38 votos sólidos entre os 81 senadores que votarão em 1º de fevereiro de 2027. São congressistas de partidos de direita e centro-direita, como PL, Novo, Republicanos e PP, mais alinhados à oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também se coloca como candidata deste grupo.

O voto é secreto, o que estimula negociações de bastidores, traições e votos baseados em relações pessoais, independentemente das posições partidárias. Marinho defende que os senadores divulguem votos antes de depositá-los nas urnas, mas a iniciativa, ao menos por enquanto, ainda não ganhou tração entre os senadores.
Já Alcolumbre aposta em pelo menos cinco votos dentro do PL e mais em outros em partidos de direita ao negociar cargos dentro do governo Lula (PT) e de agências reguladoras, relatórios de projetos importantes e funções no Legislativo para acomodar aliados.
Nesta quarta-feira (4), por exemplo, ele escolheu o senador Eduardo Gomes (PL-TO) para ser o relator da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), proposta que define as regras para o Orçamento.
Aliados de Marinho dizem que ele também usará as ferramentas que a presidência do Senado oferece, como chefias de comissões, cargos para assessores e relatorias de projetos importantes, para buscar os votos que faltam. Reconhecem, entretanto, que Alcolumbre dispõe de mais instrumentos já que deve contar com a ajuda do governo Lula.
Por isso, contra defecções na direita, o líder da oposição viajará para os estados em visitas aos senadores eleitos, governadores e lideranças locais. Uma das apostas é estimular os eleitores pró-impeachment de ministros do Supremo a pedir que os senadores em que votaram apoiem Marinho.
Alguns aliados falam também em fazer atos de rua para aumentar a mobilização, mas pelo menos as primeiras viagens devem se concentrar nas agendas com autoridades e entrevistas à imprensa regional.
As viagens para a campanha para a presidência do Legislativo costumam ser mais comuns na eleição para o comando da Câmara dos Deputados, dado o grande número de votantes, 513, e a dificuldade de se reunir com todos eles em Brasília no curto período de campanha. Já no Senado, como são apenas 81, o mais tradicional é o contato cara a cara.
O plano de Marinho é prestigiar os eleitos em suas bases eleitorais, mas conciliar isso com uma mobilização dos eleitores bolsonaristas para pressionar os senadores de direita a votarem contra Alcolumbre, que virou um dos alvos das eleições nacionais por travar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Dois aliados dizem que o senador Efraim Filho deve ser escolhido para coordenar a campanha, para demonstrar unidade no campo da direita. Efraim é amigo de Alcolumbre, foram companheiros no DEM e depois no União Brasil, e Efraim liderou o partido no Senado durante a gestão do correligionário.
O senador se aproximou do bolsonarismo para disputar a eleição para governador da Paraíba e se filiou ao PL em março, mas consta da planilha de Alcolumbre como um dos que votará nele em fevereiro. O parlamentar nega. “É um outro momento. Fui líder do União Brasil, mas agora estou no PL e vou seguir junto com a bancada e com o Rogério”, afirma Efraim.
Marinho também prepara um aceno ao centro, com uma carta programática que será divulgada para lançamento de sua candidatura –e que contrasta com o discurso feito por ele no ato com a bancada do PL nesta quarta, quando disse que será a barreira contra “a barbárie que se avizinha no país” e chamou o presidente Lula de “inconsequente”.
No documento, de acordo com duas fontes, o candidato deve afirmar que não será um presidente do Senado de oposição ao governo e ao STF, mas que defenderá a institucionalidade e independência do Legislativo e que não poupará os ministros do Supremo em caso de desvios de conduta.
Uma das marcas deve ser a história do avô, o ex-deputado federal Djalma Marinho, que apoiou a ditadura militar, mas renunciou à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 1968 ao se recusar a abrir um processo de cassação contra o deputado Márcio Alves pelo discurso feito na véspera contra o regime.
A Folha procurou Marinho para que comentasse a estratégia, mas não teve retorno do parlamentar até a publicação desta reportagem.






