Um médico residente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP) publicou nas redes sociais uma imagem de um prontuário médico acompanhada de comentários em tom de piada sobre um paciente atendido na instituição.
A publicação foi feita em 21 de setembro e apresentava informações relacionadas ao paciente, incluindo peso, altura e índice de massa corporal (IMC), além de dados referentes ao atendimento. O paciente, que tem sobrepeso, não teve o nome divulgado na postagem.
O conteúdo alcançou pelo menos 100 mil visualizações antes de ser apagado pelo médico.

Outros profissionais da área da saúde alertaram que, além do caráter vexatório, a publicação poderia representar exposição indevida de informações sensíveis.
Procurado, o Hospital das Clínicas confirmou que o autor da publicação integra o quadro de médicos residentes e classificou a atitude como preconceituosa.
Em nota, a instituição afirmou que tomou conhecimento do episódio e considerou a publicação inadequada e incompatível com a postura profissional esperada. O hospital também informou que adotaria providências para retirar o conteúdo e evitar que situações semelhantes voltassem a ocorrer.
Apesar do posicionamento, o hospital não informou quais medidas foram tomadas contra o residente nem esclareceu se ele continua realizando atendimentos normalmente.
Segundo especialistas, a ausência do nome do paciente não necessariamente impede sua identificação. Informações como peso, altura, IMC, características clínicas, data do atendimento e outros detalhes podem permitir que o próprio paciente ou pessoas próximas reconheçam o caso.
Especialistas em bioética afirmam que o Código de Ética Médica estabelece restrições à divulgação de informações obtidas durante o atendimento, especialmente quando a exposição ocorre de maneira depreciativa.






