Após a morte de Nemesio Rubén Oseguera, o El Mencho, líder de um dos principais cartéis do México, o país enviou 10 mil soldados para conter a onda de violência que tomou conta de diversos estados mexicanos, que deixou dezenas de mortos.
Nemesio Rubén Oseguerra Cervantes, 59, conhecido como El Mencho, um dos fundadores e chefe da organização criminosa CJNG (Cartel de Jalisco Nova Geração), foi morto pelo Exército do México no domingo (22). Ele foi morto enquanto era levado, escoltado por comparsas, para um avião com destino à Cidade do México. Oseguera tinha uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos por sua captura.
A notícia de sua morte desencadeou uma onda de violência, com membros do cartel bloqueando estradas em 20 estados e incendiando veículos e estabelecimentos comerciais. Ao menos 27 membros das forças de segurança, 46 supostos criminosos e um civil foram mortos, informaram as autoridades.

Uma fuga em massa em uma prisão de Jalisco resultou na evasão de pelo menos 23 pessoas após o presídio ser atacado com intenso tiroteio por “grupos criminosos”, segundo o secretário de Segurança do estado. Moradores e turistas se abrigaram em seus hotéis enquanto membros do cartel promoviam a onda de violência.
O governo enviou 2.500 soldados adicionais para Jalisco, elevando para 10 mil o contingente mobilizado desde domingo. Em Aguililla, cidade natal de “El Mencho” no estado de Michoacán, moradores relataram bloqueios no início da manhã de segunda-feira.
Na capital do estado de Jalisco, Guadalajara, as escolas permaneceram fechadas e a maior parte do transporte público foi suspensa.
A violência do fim de semana também atingiu a cidade turística de Puerto Vallarta, popular entre turistas americanos. Alertas de viagem foram emitidos por Reino Unido, Canadá e Estados Unidos em decorrência dos eventos, enquanto a Austrália orientou seus cidadãos a “ter cautela”. Dezenas de voos dos EUA e do Canadá foram cancelados.
Morte de líder de cartel
Oseguera, de 59 anos, era considerado o último dos grandes chefes do tráfico que atuava nos moldes brutais de Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada, do cartel rival de Sinaloa, ambos atualmente presos. Ele foi membro fundador do CJNG, criado em 2009 e que se tornou uma das organizações criminosas mais violentas do México.
Além de El Mencho, outros três homens, identificados pelo Exército como integrantes do CJNG, também morreram no local. Outros três do mesmo bando ficaram gravemente feridos. Outros dois foram presos.

O Exército mexicano informou que foram apreendidos “diversos armamentos e veículos blindados”. Entre os armamentos, alguns são capazes de derrubar aeronaves e destruir carros blindados. Três militares se feriram durante a operação.
O Exército afirmou que a operação teve apoio dos EUA. O Departamento de Estado dos EUA oferecia recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem até El Mencho. O país acusa o CJNG, formado em 2009, de ter a maior capacidade de tráfico de cocaína, heroína e metanfetamina do país. Segundo o governo, nos últimos anos, o cartel também passou a traficar fentanil para os Estados Unidos.





