Por Jorge Cosme
(Folhapress) – Após sobrevoar as áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas, no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que a situação é mais grave do que imaginava e que os indícios apontam que as queimadas são criminosas. A região vive uma crise com aumento de focos de incêndio entre setembro e outubro, atingindo principalmente a Região Metropolitana de Manaus.
“O que nós vimos ali é uma questão muito grave. Eu diria mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo”, declarou o ministro.
Capobianco disse não se tratar apenas de fogo colocado em pastagem, que pode se alastrar para floresta.
“Nós vimos focos no meio da floresta preservada, inúmeros focos. Esse é o mais grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e, posteriormente, buscar a derrubada na sequência”, afirmou.
O ministro fez um apelo ao Governo do Amazonas, para que, além do Corpo de Bombeiros, também acione a Polícia Militar (PM).
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. É necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, acrescentou.
Além de Capobianco, a comitiva do governo federal foi composta pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e pelo presidente do Ibama, Jair Schmitt. Eles sobrevoaram principalmente a região do município de Autazes, um dos mais atingidos.
Focos de incêndio
Dados do Painel do Fogo, do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), órgão vinculado ao Ministério da Defesa, registram que, de 1º de outubro até esta segunda-feira (12), foram identificados 1.600 eventos de fogo ativo no Amazonas.
No mesmo período em 2025, o painel contabilizou 444 eventos de fogo ativo, o que representa um aumento de 260% nos registros.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, desde o início da temporada de incêndios florestais, o Ibama extinguiu 292 incêndios no Amazonas e segue atuando no combate a outros oito incêndios ativos no estado.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou, entre 1º de junho e 11 de outubro, 3.558 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. A corporação afirma ter atuado no combate a 21.690 focos, sendo 4.526 em Manaus e 17.164 no interior.
Em Itacoatiara (AM), foi montada uma força-tarefa com mais de 150 pessoas mobilizadas, entre elas voluntários, para conter as chamas. Segundo a prefeitura, seis pontos do município foram atingidos, com mais de 2.000 hectares queimados.
“A gente pede pro pessoal que vai fazer roça que não taquem fogo. Deixa essa estiagem passar. A estiagem é muito grande, vai se prolongar até dezembro. E esses focos de incêndio, a floresta vai embora, vai queimando, são os animais que vão sofrendo, as comunidades”, diz o coordenador da Defesa Civil de Itacoatiara, Hekney Rebouças, em vídeo publicado nas redes sociais.
A prefeitura também identificou uma área de desmatamento ilegal, apreendendo roçadeira e outros materiais.
Em Careiro da Várzea (AM), a prefeitura contratou caminhões-pipas para reforçar o combate às chamas. Com a proximidade do fogo de áreas residenciais, famílias precisaram deixar suas casas.
Em Boa Vista do Ramos, a prefeitura informa que mais de 200 pessoas estão trabalhando voluntariamente na contenção do fogo em diferentes pontos do município. A gestão divulgou estar garantindo água gelada e alimentação para os voluntários.
Nesta segunda-feira, pelo quinto dia consecutivo, Manaus voltou a ficar encoberta por fumaça. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou qualidade péssima do ar em diversos pontos de monitoramento da capital.
Em um dos pontos monitorados da cidade, o índice nesta manhã estava em 219 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado, substância tóxica presente na fumaça. A qualidade do ar é considerada boa quando atinge até 25 µg/m³.
O Governo Federal mobiliza 11 aeronaves para as operações de combate aos incêndios florestais no estado. Na noite do domingo (11), chegaram em Manaus duas aeronaves KC-390 Millenium, da FAB (Força Aérea Brasileira).
Uma delas vai transportar materiais e equipamentos de apoio, enquanto a outra será empregada diretamente no combate aos incêndios.
O modelo já foi utilizado pelo país para oferecer assistência humanitária ao Líbano, transportar materiais de enfrentamento à Covid-19 e repatriar brasileiros e estrangeiros refugiados do conflito na Ucrânia.
Para esta segunda-feira (12), estão previstas três decolagens, com duração aproximada de duas horas cada, para o combate aéreo aos incêndios, com lançamento de cerca de 12 mil litros de água por saída.
Em nota, o Governo do Amazonas informa que mantém ações integradas de prevenção, fiscalização, monitoramento e combate às queimadas durante o período de estiagem.
Segundo a gestão, o Corpo de Bombeiros atua no combate aos incêndios, enquanto o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) realiza ações de fiscalização do uso irregular do fogo.
O Governo do Amazonas estabeleceu, por meio do Decreto Estadual de 9 de setembro de 2026, proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o estado, ressalvadas exceções previstas na legislação. Também houve a contratação de 153 brigadistas florestais.
A gestão também decretou situação de emergência em 36 municípios do estado por conta dos incêndios florestais. A medida considera o agravamento das condições climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, que favorecem a ocorrência e a propagação do fogo.
O Governo Federal informa que apoia o governo do estado do Amazonas com o projeto ProAmazon, apoiado pelo Fundo Amazônia, com R$ 45 milhões, com pagamentos já realizados em janeiro de 2025 e março de 2026,. Os valores são destinados ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Estado e de ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas.




