Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada
No Marketing Político moderno, a matemática e a neurociência não possuem ideologia. Elas possuem resultados. Enquanto o campo progressista se retira para o conforto dos seus gabinetes e seminários fechados, a direita personificada em fenômenos como a “dancinha” de Flávio Bolsonaro e a marcha orgânica de Nikolas Ferreira ocupa o vácuo deixado pela ausência de quem deveria estar na linha de frente da comunicação digital.
A ilusão do purismo e o absenteísmo estratégico
Recentemente, no evento DSX em Manaus, a ausência de profissionais do campo progressista foi sintomática. Onde o mercado discute tecnologia, gatilhos mentais e comportamento do consumidor, a esquerda está ausente. Existe um abismo entre o “saber acadêmico” e o “saber fazer” no campo de batalha digital.
A esquerda institucionalizada, hoje, sofre de um conservadorismo de forma. Ela se recusa a frequentar os espaços de formação (cursos, eventos e redes de networking) onde o Marketing Político está sendo reinventado. O resultado é uma comunicação travada, reativa e que fala apenas para os já convertidos.
O “ridículo estratégico” vs. a invisibilidade ética
A análise de Lucas Pimenta sobre Flávio Bolsonaro no TikTok expõe a ferida: o jovem da periferia, o “nem-nem” e o novo eleitor de 2026 não consomem o Plano de Governo de 20 páginas; eles consomem a humanização.
A dancinha não é “falta de seriedade”; é um aceno estético. É a quebra da barreira entre o político inalcançável e o cidadão comum. O campo progressista rotula isso como “tosco”, enquanto perde a oportunidade de criar seus próprios rituais. O preconceito contra o uso de ganchos de retenção (o grito, o palavrão pontual, o impacto nos primeiros 3 segundos) é, na verdade, um preconceito contra a própria biologia humana e o funcionamento do sistema dopaminérgico que rege as redes sociais.
Da Sibéria ao TikTok: a lição de Lênin esquecida
Ironia maior não há: a esquerda radical, que deveria beber da fonte da agitação e propaganda (AgitProp), hoje se perde em embates internos sobre o que é “condenável” na comunicação. Esquecem-se de Vladimir Lênin. No exílio, Lênin não escrevia apenas para intelectuais; ele dominava a linguagem das massas, adaptando o discurso para que o camponês iletrado entendesse a urgência da revolução tanto quanto o acadêmico.
Lênin era um comunicador de resultados. Se vivesse hoje, ele não estaria discutindo se o TikTok é “burguês”; ele estaria hackeando o algoritmo para entregar sua mensagem. A direita entendeu que, na Economia da Atenção, você primeiro captura o olhar para depois entregar o conteúdo. A esquerda quer entregar o conteúdo sem ter a atenção, o que equivale a gritar em um quarto vazio.
O governo federal e o travamento sistêmico
Observamos hoje uma estrutura governamental vasta, mas muda. Onde deveria haver uma máquina de guerra comunicacional, há um emaranhado de burocracia e medo do “cancelamento” interno. A dificuldade de se comunicar do Governo Federal reflete o pânico de ser “popular demais” ou “pouco institucional”. Enquanto isso, a extrema-direita utiliza a PNL (Programação Neurolinguística) e gatilhos de urgência para manter o país em estado de alerta constante.
O voto de 2026: conclusão e solução
A política não é um tribunal de ética estética; é uma disputa de poder. Ganha quem se comunica com todos. A solução não é copiar a dancinha, mas copiar o princípio da quebra de padrão.
A paralisia estética da esquerda, diante de uma direita que “hackeou” a economia da atenção, é o sintoma de um campo que prefere ter razão a ter audiência.
🔸 Abandono do Narcisismo Intelectual: Parar de condenar ferramentas de neurociência e marketing digital como se fossem “trapaças”.
🔸 Presença nos Espaços de Mercado: Profissionais de esquerda precisam ocupar os cursos de marketing, os eventos de tecnologia e as mesas de networking.
🔸 Humanização Radical: Mostrar o que o terno esconde. Admitir falhas, mostrar bastidores reais (não montados) e falar a língua do povo, sem o filtro da formalidade estéril.
Se a esquerda continuar preferindo a “superioridade moral” de ser invisível à “crítica barulhenta” de ser lembrada, o encolhimento das últimas duas décadas será apenas o prefácio de sua extinção eleitoral. Em 2026, quem não for capaz de reter a atenção nos primeiros três segundos, não terá quatro anos para governar.
Marketing é ciência, voto é estatística e comunicação é sobrevivência.
Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.





