Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.
Um dos slogans de campanha de Salazar era “Ataque Soviético” – uma referência destinada a associar eficiência na tática policial, mas esquecendo que Ataque Soviético era o exército COMUNISTA da União Soviética que inaugurou tal doutrina. O problema? É um erro grotesco de interpretação histórica dada por ser proferida por policiais bolsonaristas (anti marxismo cultural). rs
1. O Exército Soviético (ou Vermelho) foi o principal responsável pela derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial. Foi a URSS que tomou Berlim, capturou Hitler (ou o que restou dele) e libertou campos de extermínio como Auschwitz. Sem o “ataque soviético”, a guerra teria durado muito mais.
2. “Ataque soviético” era uma tática militar eficiente, não um “perigo” abstrato. O Exército Vermelho, criado por Leon Trótski, foi uma máquina de guerra disciplinada e inovadora – tanto que até hoje influencia doutrinas militares.
3. Usar o termo sem admitir a eficiência comunista é vergonha histórica ou má-fé. Se Salazar e seu eleitorado “terraplanista” (que, ironicamente, inclui negacionistas da ciência e da história) querem combater um “inimigo imaginário”, deveriam ao menos estudá-lo. (desculpem-me, por solicitar que bolsonarista estude) sei que é forçação de barra! rs …
Um chamamento à reflexão para a sociedade manauara sobre os riscos do populismo policial e o destino dos “fenômenos eleitorais” bolsonaristas
A eleição do sargento Alexandre Salazar como o vereador mais votado de Manaus em 2020, com 22.594 votos, não foi um acidente. Foi a síntese de um script já conhecido: um policial militar que se autoproclama “justiceiro”, usa a farda como plataforma política, viraliza nas redes sociais com discursos agressivos e se beneficia do medo e da indignação popular para construir uma imagem de “herói”. No entanto, por trás do marketing digital e da lacração fácil, há um histórico perturbador: 24 investigações, incluindo acusações de homicídio, abuso de autoridade e agora, uma denúncia do Ministério Público do Amazonas pelo assassinato de Felipe Kevin, um jovem de 19 anos que, segundo as provas, não cometeu crime algum.
O Roteiro do Fenômeno Bolsonarista
Salazar não é um caso isolado. Ele segue o mesmo caminho de figuras como Joice Hasselmann (SP) ou Coronel Telhada (SP), que surfaram na onda do bolsonarismo, acumularam votos com retórica anti-crime e, depois, viram suas carreiras desmoronarem sob o peso das contradições, denúncias e da justiça. Esses fenômenos têm um padrão:
1. A Exploração do Medo: Usam a violência urbana como palanque, prometendo “mão dura” e justiça pelas próprias mãos.
2. O Culto às Redes Sociais: Vídeos bombásticos, linguagem agressiva e um storytelling que os coloca como “última barreira contra o caos”.
3. A Fragilidade da Máscara: Quando a vida real (processos, contradições, investigações) bate à porta, o castelo de areia desaba.
No caso de Salazar, a denúncia do MP-AM é grave: ele atirou seis vezes em Felipe Kevin após uma perseguição, alegando legítima defesa, mas não havia arma com a vítima e nenhum indício de que ela participara de um roubo. Além disso, um inquérito militar já o condenou por abuso de autoridade por divulgar imagens de uma detenção. Seu silêncio diante do desafio do coronel Claudenir Barbosa – que o chamou de “cheirador de PÓ” e exigiu um debate – só aumenta as suspeitas.
O Que Acontece Quando a Justiça Chega?
A história recente mostra que esses fenômenos não duram. Joice Hasselmann, que foi uma das deputadas mais votadas do Brasil em 2018, hoje está politicamente isolada. Telhada, que se elegeu com discurso de “herói”, enfrenta processos e perdeu relevância. O próprio Bolsonaro, que inspirou essa leva de “justiceiros”, está inelegível.
Por quê? Porque a política real exige mais do que vídeos virais. Exige responsabilidade, transparência e respeito às instituições. Quando um político é investigado por homicídio, a sociedade precisa questionar: ele está lá para servir ou para se proteger?
O Desafio Para Manaus
Manaus não merece ser enganada por um personagem. Se Salazar é inocente, que responda aos processos e prove sua honestidade. Se é culpado, que a Justiça aja. Mas uma coisa é certa: fenômenos eleitorais baseados em violência e espetáculo não resolvem os problemas da cidade. Eles só alimentam o ciclo de impunidade e autoritarismo.
Enquanto isso, o silêncio de Salazar diante das acusações é ensurdecedor. E, como diz o ditado, “quem cala, consente”.
A pergunta que fica é: quando a onda da viralidade passar, o que sobrará do sargento Salazar?
(Artigo opinativo baseado em reportagens da Folha de S.Paulo, investigações do MP-AM e análise do contexto político nacional.)
Este texto é um convite à reflexão sobre como escolhemos nossos representantes. Política séria não se faz com lacração, mas com propostas, ética e respeito à vida.
Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.






