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Paulo Guedes e Campos Neto recusam convite de Flávio para eventual ministério da Economia


Por Cleber Lourenço

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou, nas últimas semanas, dar um passo além no desenho de sua estratégia para 2026: buscou Paulo Guedes e Roberto Campos Neto para associar seus nomes a um eventual projeto econômico de campanha.

A ideia era simples e direta. Caso dispute — e vença — a Presidência da República, Flávio pretende recriar o Ministério da Economia, nos moldes adotados no governo Jair Bolsonaro, concentrando Fazenda, Planejamento e Indústria sob um único comando. Para dar lastro ao plano, procurou dois dos principais símbolos da política econômica daquele período.

Nenhum dos dois topou.

De acordo com interlocutores que acompanharam as conversas, Guedes foi convidado a participar da formulação do programa econômico e teve o nome ventilado como possível titular da pasta, caso seja recriada. O ex-ministro, no entanto, deixou claro que não pretende retornar ao serviço público nem se vincular formalmente a uma campanha eleitoral.

No caso de Campos Neto, a sinalização foi semelhante. O ex-presidente do Banco Central também foi sondado para integrar o projeto como referência técnica e possível ministro da área econômica. A resposta foi negativa. A avaliação é que, após o período à frente da autoridade monetária, não há disposição para ingressar novamente na estrutura estatal — tampouco assumir papel político-eleitoral.

A movimentação de Flávio tinha um objetivo claro: enviar uma mensagem ao mercado financeiro e ao empresariado de que sua eventual candidatura manteria uma linha liberal, com compromisso fiscal e previsibilidade macroeconômica. A presença — ou ao menos o endosso — de Guedes e Campos Neto funcionaria como selo de continuidade.

Sem os dois, o senador terá de buscar outros nomes capazes de cumprir esse papel.

Dentro do PL, o diagnóstico é que a construção da candidatura passa, necessariamente, pela definição de uma equipe econômica que dialogue com o setor produtivo e reduza resistências fora da base bolsonarista mais fiel. A recusa de Guedes e Campos Neto não encerra a estratégia, mas impõe um ajuste de rota.

No tabuleiro de 2026, a economia segue como peça central. E, por ora, dois dos principais rostos da política econômica do último ciclo bolsonarista optaram por não voltar ao front.





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