Por Augusto Tenório
(Folhapress) – O Podemos frustrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e decidiu ficar neutro na eleição presidencial deste ano. O PL tentou atrair o partido e chegou a sondar a possibilidade de a presidente da legenda, a deputada Renata Abreu, ser a vice na chapa que disputará o Planalto.
A decisão põe um fim à tentativa de Flávio Bolsonaro de atrair outras legendas do centrão para uma coligação. O Republicanos oficializou nesta terça-feira (4) a neutralidade na eleição nacional. A federação União Brasil-PP já havia comunicado ao PL sua recusa por uma aliança formal.
O candidato do PL à Presidência vem enfrentando uma série de dificuldades. O União Brasil desembarcou do seu palanque no Rio de Janeiro e, em Minas Gerais, perdeu um cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo ao governo. Ele era o favorito nas pesquisas.
Segundo interlocutores, Renata Abreu consultou os diretórios do Podemos e ouviu da maioria, nesta segunda-feira (3), a preferência pela neutralidade. Dessa forma, os filiados ficam livres para apoiarem o candidato à Presidência com quem tenham mais afinidade. A decisão deve ser oficializada até esta quarta-feira (5).
Ainda de acordo com pessoas a par das conversas, a presença da presidente do Podemos numa chapa presidencial nunca esteve nos planos do partido. A ideia, dizem aliados, foi dada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que intermediou um encontro de Abreu com Flávio Bolsonaro na última sexta-feira (31).
Como mostrou a Folha, o Podemos foi alvo de uma ofensiva também do PT do presidente Lula, que desejava garantir a neutralidade do partido. Ambos os lados pavimentaram a possibilidade de participação no governo, em caso de vitória.
No caso do PL, segundo pessoas a par das conversas, também foi levantada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro tem a maior fatia dessa verba, com R$ 881,6 milhões e, pelas regras internas do partido, não veda a transferência de recursos para legendas aliadas.
Internamente, o Podemos avalia que um incremento no fundo eleitoral poderia ajudar o partido a alcançar seu objetivo, que é eleger mais de 30 deputados federais neste ano. Ao mesmo tempo, lideranças consideram que um alinhamento a um candidato poderia atrapalhar o desempenho geral do partido.

Flávio Bolsonaro também tentou atrair outras legendas do centrão, mas falhou. O Republicanos oficializou nesta terça-feira (4) a neutralidade na eleição nacional. A federação União-PP já havia comunicado ao PL sua recusa por coligação.
O candidato do PL à Presidência vem enfrentando uma série de dificuldades. O União desembarcou do seu palanque no Rio de Janeiro e, em Minas Gerais, perdeu um cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo ao governo. Ele é o favorito nas pesquisas.
Atualmente, 11 dos 27 congressistas da legenda estão em São Paulo, onde avaliam que um alinhamento ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a neutralidade nacional facilitam a atração de votos. Outra ala da legenda ainda deve se alinhar a Romeu Zema (Novo) na eleição presidencial.
Segundo pessoas próximas, Romeu Zema também tentou atrair o partido para sua chapa e chegou a oferecer sua vice para um nome da sigla, sem sucesso.
Uma coligação é importante porque aumenta o tempo de TV e rádio de um candidato e facilita o compartilhamento de fundo eleitoral. Se ficar isolado, Flávio Bolsonaro deve ter 20% a menos de tempo de televisão do que Lula, seu principal adversário.




