O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou nesta quinta-feira (5) um pedido de renúncia do cargo. A decisão vem após um pedido de impeachment no Congresso e uma crise envolvendo a liquidação do banco Ueno, instituição controlada pelo Grupo Vázquez e da qual Peña foi acionista até março de 2025.
De acordo com a imprensa local, o pedido ainda precisa do aceite do Congresso do país . Uma sessão sobre o assunto deve ser convocada ainda esta semana.
Nas redes sociais, Peña se manifestou informando a decisão de deixar o poder, destacando que este é um dos momentos “mais difíceis da minha vida”.
“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.
“Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, completou.
Confira na íntegra:
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A crise
A crise começou após o Banco Central do Paraguai (BCP) intervir no Ueno, na terça-feira (2), por problemas de solvência. A ação provocou uma onda de preocupação entre os clientes da instituição, que chegou a atender cerca de 3 milhões de pessoas, e colocou em cheque a relação entre o banco, o governo e autoridades do sistema financeiro. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores relacionados ao sistema previdenciário.
A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia sido indicado por Peña. A Procuradoria paraguaia abriu uma investigação criminal sobre o caso e determinou a prisão de oito atuais e ex-dirigentes do banco. Ao todo, 27 pessoas ligadas à instituição foram formalmente acusadas.
Peña havia sido acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025, já durante seu mandato presidencial. A ligação anterior com a instituição passou a ser um dos principais pontos de questionamento da oposição durante a crise.
Impeachment no Congresso
A saída de Peña foi anunciada enquanto o Congresso discute o processo de impeachment contra o presidente e seu vice, Pedro Alliana. Na quarta-feira (4), 35 deputados da oposição protocolaram os pedidos, acusando o governo de conflitos de interesse, uso indevido de recursos de fundos de pensão e tentativa de encobrir falhas institucionais relacionadas ao Ueno Bank.
Nesta quinta, a pressão aumentou depois que o próprio Partido Colorado, legenda de Peña, anunciou que seus deputados votariam a favor do processo de impeachment. Aliados do presidente também passaram a defender publicamente sua saída.
Caso o pedido seja aceito, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência. Pela Constituição paraguaia, Peña também poderá ocupar o cargo de senador vitalício, desde que não deixe o governo por meio de uma destituição.





