A psicóloga e empresária Mara Suassuna classificou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais como um “golpe” e defendeu que empresas deixem de contratar trabalhadores identificados com o Partido dos Trabalhadores. Em um vídeo divulgado após a votação de domingo (25), ela afirmou ter recebido pedidos de empresários interessados em excluir petistas de processos seletivos.
“Só agora que realmente eu consegui me restabelecer desse golpe de ontem nas nossas eleições. Confesso que fiquei entristecida, revoltada e muito desesperançosa com relação ao futuro do nosso Brasil”, declarou Mara no início da gravação.
A empresária não apresentou provas de fraude eleitoral ou de qualquer irregularidade que sustentasse a classificação do resultado como um golpe.
Na sequência, Mara se apresenta como psicóloga e responsável por uma empresa de recursos humanos que atua na prospecção, no recrutamento e na seleção de profissionais. Segundo ela, clientes teriam entrado em contato após a eleição para solicitar a contratação de funcionários que não fossem petistas.
“E hoje eu recebi vários telefonemas, várias mensagens de clientes meus, de empresários que têm nas suas empresas, inclusive pedindo para selecionar novos colaboradores cujo critério passa por não ser petista”, afirmou.
Empresária associa posicionamento político a valores pessoais
Ao justificar a exclusão de trabalhadores petistas, Mara argumentou que a escolha de funcionários não deveria ser entendida como uma questão ideológica, mas como uma avaliação dos valores pessoais dos candidatos.
A psicóloga citou a teoria dos valores de Shalom Schwartz, utilizada na psicologia para estudar princípios que orientam escolhas e comportamentos individuais.
A partir dessa referência, defendeu que empresários devem selecionar profissionais que compartilhem os valores e a missão de suas organizações.
“Não é uma questão de ideologia política, é uma questão de valores”, afirmou.
“Não dá para contratar um funcionário que não tenha os valores que são os valores da minha empresa, como honestidade, respeito à vida, respeito ao relacionamento humano”, acrescentou.
A declaração associa a identificação partidária dos candidatos a características pessoais e morais, embora a preferência política, por si só, não determine a honestidade ou a capacidade profissional de um trabalhador.
Psicóloga oferece serviços para contratar pessoas de direita
Em outro momento da gravação, Mara oferece seus serviços a empresários interessados em contratar exclusivamente profissionais alinhados à direita.
“Para aqueles empresários que estão precisando contratar pessoas de direita, é só falar comigo. Tenho certeza que eu vou contratar muita gente boa, de direita, alinhada com os valores, a missão e a visão da sua empresa”, declarou.
Ao encerrar o vídeo, a empresária utiliza a expressão “laranja podre” para reforçar sua defesa de contratações baseadas no alinhamento de valores.
“Não tem jeito de laranja podre estar pertinho da gente”, disse.
A psicóloga ainda afirmou que a disputa política não havia terminado, apesar da confirmação da vitória de Lula.
“E não acabou ainda não, viu, gente? Ainda tem muita coisa pela frente”, concluiu.
Discriminação política pode violar direitos trabalhistas
A defesa de processos seletivos que excluam candidatos por suas convicções políticas levanta questões sobre discriminação no acesso ao emprego.
A Constituição Federal protege a liberdade de consciência e de convicção política e estabelece a igualdade perante a lei.
Além disso, a Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias e limitativas para efeito de acesso à relação de trabalho ou de sua manutenção. A discriminação por opinião política também é reconhecida nas normas internacionais de proteção ao trabalho.
Isso significa que a utilização da preferência partidária como critério de exclusão de candidatos pode configurar discriminação, dependendo das circunstâncias e das provas disponíveis.






