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Quaest: Percepção negativa da economia persiste apesar de desemprego em mínima histórica


Quase metade dos brasileiros considera que a economia piorou nos últimos 12 meses, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (11). O percentual dos que veem deterioração do cenário econômico chega a 43%, enquanto 24% afirmam que houve melhora e 30% dizem que a situação permaneceu igual. Os números são praticamente os mesmos registrados em janeiro, indicando estabilidade na percepção.

Em relação às expectativas para os próximos 12 meses, o cenário é mais dividido: 43% acreditam que a economia vai melhorar, 29% projetam piora e 24% esperam estabilidade.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Descompasso entre dados e percepção

Os resultados indicam um descolamento entre indicadores macroeconômicos e a percepção da população. Em 2025, a taxa média de desemprego foi de 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012. O índice recuou um ponto percentual em relação a 2024 e está bem abaixo do patamar pré-pandemia.

Ainda assim, a sensação de piora econômica persiste. Analistas apontam que o ambiente de juros elevados, com impacto direto sobre crédito, consumo e endividamento das famílias, ajuda a explicar o contraste. Mesmo com melhora no rendimento médio e inflação mais controlada, o peso das dívidas e o custo do crédito reduzem a percepção de ganho real.

Alimentos pressionam percepção

A alta nos preços dos alimentos continua sendo um fator central na avaliação negativa. Para 56% dos entrevistados, os preços subiram no último mês. Outros 24% disseram que ficaram iguais e 18% relataram queda. Os números são semelhantes aos de janeiro, dentro da margem de erro.

Dados oficiais mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em janeiro. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,44%, levemente acima das projeções do mercado. Porém, em janeiro de 2026, a alimentação no domicílio registrou variação de apenas 0,10%, ante o 0,14% do mês anterior, o que mostra uma desaceleração e um índice abaixo da inflação geral.

Especialistas destacam que a inflação de alimentos tem impacto direto e mais perceptível no cotidiano, afetando principalmente famílias de renda média e baixa, o que ajuda a explicar a persistência da insatisfação mesmo em um cenário de inflação geral mais moderada.

Poder de compra em queda

A percepção de perda de renda é expressiva. Para 61% dos entrevistados, com o dinheiro que recebem hoje é possível comprar menos do que há um ano. Apenas 15% afirmam conseguir comprar mais, e 23% dizem manter o mesmo padrão de consumo.

Os percentuais são semelhantes aos registrados no início do ano, reforçando a leitura de estabilidade na avaliação negativa.

Mercado de trabalho: percepção dividida

Apesar da taxa de desemprego em mínima histórica, 49% avaliam que está mais difícil conseguir emprego do que há 12 meses. Para 39%, está mais fácil, enquanto 5% não veem mudança.

O dado revela uma percepção mais cautelosa em relação ao mercado de trabalho, possivelmente influenciada pela desaceleração na criação de vagas e pelo ambiente de crédito mais restrito.

Expectativa moderadamente otimista

Embora o diagnóstico sobre o último ano seja majoritariamente negativo, a expectativa para os próximos meses mostra um viés mais otimista: 43% esperam melhora da economia. O percentual, contudo, é inferior ao registrado em janeiro, quando 48% projetavam avanço.

O conjunto dos dados sugere que, mesmo com fundamentos econômicos mais favoráveis em alguns indicadores, a experiência cotidiana — marcada por preços de alimentos elevados, crédito caro e sensação de renda comprimida — continua sendo determinante para a percepção da população.

 





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