Neste sábado (24), a edição 58 da Revista Liberta coloca em debate algumas das disputas que ajudam a definir o futuro da democracia: os rumos da esquerda após as eleições de 2026, a mobilização da juventude e o poder das plataformas digitais. Em comum, os temas apontam para uma questão central: quem disputa a opinião pública e quais interesses estão em jogo?
Na coluna de Juliano Medeiros, o tema é o desafio de renovar o campo progressista brasileiro. Diante das mudanças na sociedade e das expectativas da população, insistir nas mesmas fórmulas não basta, assim como apostar que apenas defender o que já existe será suficiente para mobilizar novas maiorias. É hora de a esquerda atualizar seu projeto político, formar novas lideranças e fortalecer a organização popular. Sem isso, o risco é de se distanciar justamente daqueles que pretende representar.
Já na coluna de Claudia Guadagnin, a discussão se volta à maneira como o medo e a indignação capturam a atenção do público. Notícias negativas tendem a despertar o alerta, enquanto a disputa por cliques e interações favorece conteúdos que provocam reações imediatas. Em meio a isso, o contexto se torna opcional, e o debate público vira refém de uma lógica que privilegia o impacto. O desafio do jornalismo é explicar os acontecimentos para além da manchete, investigando suas causas e consequências.
O poder das big techs e os limites da democracia
A coluna de Adriana Ferreira Silva apresenta o Brasil como um campo de testes da Meta. A prioridade dada ao engajamento, somada às críticas sobre o enfrentamento da desinformação e dos discursos de ódio, levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas pelos conteúdos que circulam em seus ambientes. Em períodos eleitorais, a falta de transparência sobre os algoritmos e os limites da autorregulação tornam ainda mais urgente discutir quem controla a circulação de informações e a serviço de quais interesses.
A disputa política também atravessa fronteiras. A coluna de Leonardo Trevisan analisa o desgaste enfrentado pelo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Diante da insatisfação com o custo de vida, a inflação e as políticas contra imigrantes, as eleições legislativas de meio de mandato podem impor um revés ao presidente. Com o avanço dos democratas nas pesquisas, uma mudança na composição do Congresso pode não significar, por si só, uma mudança de rumo na política norte-americana, mas pode enfraquecer um governo cuja influência ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos.
O futuro em disputa
A coluna de Mayra Goulart analisa os desafios da esquerda após as eleições de 2026. Mobilizar a base progressista não basta: é necessário disputar as camadas populares que se aproximaram da direita. Um caminho possível passa por deslocar o foco do debate para o poder dos super-ricos, dos bancos e das plataformas que lucram com o trabalho alheio. O desafio é construir uma agenda baseada na solidariedade e na redução das desigualdades.
A edição 58 da Revista Liberta conta também com colunas de João Cezar de Castro Rocha, Reserva Exclusiva, Gabriela Varella, Jamil Chade, Juca Kfouri, Luís Costa Pinto, Leonardo Boff e Paulo César Teixeira. A charge é de Bruno Lanza, e a arte de capa fica por conta do cartunista Aroeira. Parte do conteúdo também está disponível para não assinantes.




