A segunda noite de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Sambódromo do Rio de Janeiro, foi marcada por enredos que celebram artistas brasileiros e a luta por liberdade, nesta segunda-feira (16). Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca foram as quatro escolas a se apresentar.
As quatro escolas cruzaram a Marquês de Sapucaí dentro do tempo máximo de 80 minutos.
O terceiro e último dia de desfiles, na noite de terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), terá Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro na avenida.
Mocidade Independente de Padre Miguel conta a história de Rita Lee
Primeira a desfilar na segunda-feira, a Mocidade Independente de Padre Miguel fez uma homenagem à rainha do rock brasileiro, Rita Lee. Com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, a Mocidade celebrou o legado musical, estético e comportamental da artista.

Um imenso abre-alas entrou na pista com dez balões a 35 metros de altura, conduzidos manualmente por integrantes da escola. O carro mostrou a formação dos Mutantes, mergulhou na estética psicodélica dos anos 1960 e destacou a importância da Tropicália na transformação da música brasileira.

Em um dos carros, uma ovelha negra fumava um cigarro de maconha, relembrando a prisão de Rita Lee por suposto porte de drogas em 1976, durante a ditadura militar. Esculturas de soldados gigantes lembravam os militares e a censura. A bateria protagonizou um dos momentos mais marcantes ao soltar mil balões em formato de coração na avenida.

Atendendo a um pedido da família da cantora, não foram usadas penas de animais nas fantasias, em respeito à militância pela causa animal.
Beija-Flor exalta o Bembé do Mercado
A Beija-Flor, atual campeã, homenageou o Bembé do Mercado, tradicional celebração afro-religiosa de Santo Amaro, na Bahia, reconhecida como o maior candomblé de rua do mundo. Sem Neguinho da Beija-Flor, intérprete da escola de 1976 até o ano passado, Ninno e Jéssica Martin tiveram a missão de cantar o enredo. Ela é ex-passista e única mulher intérprete do Grupo Especial.

Um dos destaques foi a comissão de frente, que apresentou um barco que se transformava em Mãe D’água, com um tripé que abusou do jogo de luzes. O desfile também marcou os 30 anos da dupla Selminha Sorriso e Claudinho na Beija-Flor.

No abre-alas, a Beija-Flor representou os rituais de purificação. O carro contava com beija-flores gigantes, aves brancas e máscaras ancestrais na primeira parte do conjunto alegórico. Na segunda parte, tons de azul e dourado evocavam Oxum e Iemanjá.

Viradouro presta homenagem a Mestre Ciça, comandante da bateria da escola
A Unidos do Viradouro foi a terceira escola a entrar na avenida, já na madrugada de terça-feira (17), com uma homenagem a um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, o Mestre Ciça, comandante da bateria da escola.

O ponto alto da noite foi a recriação de uma ação inovadora do desfile de 2007 da Viradouro, assinado pelo carnavalesco Paulo Barros, ao levar toda a bateria para cima de um carro. Ciça subiu a escadaria que levava ao topo da alegoria de mãos dadas com Juliana Paes, rainha de bateria entre 2004 e 2008 e que fez um retorno à agremiação para a homenagem.

Ciça articipou da comissão de frente, no chão e em um tripé. Depois, trocou de roupa para conduzir a bateria.

Outro destaque foi o abre-alas, com um leão que rugia, além de patas e cabeça móveis e uma coroa giratória. A alegoria, de 15 metros, simbolizava a Estácio de Sá.
Tijuca conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus
Fechando a noite, a Unidos da Tijuca levou à Sapucaí o enredo “Carolina Maria de Jesus”, retratando a vida da escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora de “Quarto de Despejo”.

A agremiação tijucana apresentou boa evolução e a bateria teve execução consistente. As fantasias retrataram de forma expressiva a pobreza descrita e vivida por Carolina.

A Tijuca narrou os anos em que Carolina tentava sobreviver, morando na favela do Canindé, em São Paulo, o sucesso como escritora e o apagamento conduzido por uma elite que não aceitou a presença dela em espaços tradicionalmente destinados a homens e mulheres brancos e ricos.

*Com Folhapress





