O governo brasileiro acredita que o cenário mais provável nas negociações comerciais com os EUA é de que a Casa Branca aplique tarifas contra os produtos brasileiros, a partir de meados da próxima semana.
Ainda que algumas concessões possam ser incluídas, o Palácio do Planalto trabalha com a perspectiva de que será tarifado em 25% em dezenas de setores.
A impressão de que a barreira será implementada também é compartilhada por empresários que, nas últimas semanas, viajaram até os EUA para reuniões e audiências com as autoridades americanas. A percepção de muitos é de que o USTR, o escritório de comércio da Casa Branca, não está levando em consideração elementos técnicos apresentados pelo governo brasileiro e nem pelo setor privado.
Nesta sexta-feira, ministros e técnicos se reuniram com o presidente Lula em Brasília para lidar com a provável tarifa. A decisão é a de reagir de forma enfática e denunciar o fato de que as taxas serem “injustificáveis”, caso a tarifa seja anunciada.
Tampouco está descartada a adoção de medidas de reciprocidade. Mas, neste caso, o governo admite terá de esperar para entender a magnitude exata da barreira.
A possibilidade do protecionismo contra o Brasil cresceu depois que, na imprensa americana, negociadores dos EUA confirmaram que existe uma distância ainda grande na posição entre os dois países.
Nos encontros, negociadores relatam que, de fato, os EUA continuam a manter uma postura maximalista e evitar qualquer aproximação de posturas. Nos encontros, a Casa Branca admite que conta com superávit com o Brasil. Mas insiste em denunciar supostas práticas desleais por parte do país.
Até agora, quatro reuniões de alto nível já foram realizadas com os americanos. Não se descarta que um novo encontro possa ocorrer nos próximos dias, mas não há nada agendado ainda. Não há qualquer previsão de que Lula e Trump falem pelo telefone sobre o tema.
Manobra para ajudar Flávio não está descartada
Apesar de acreditar que deve ser taxado, o governo brasileiro não descarta que a Casa Branca possa promover uma manobra para tentar ajudar Flávio Bolsonaro em sua campanha eleitoral.
Neste caso, Washington anunciaria que estaria adiando as tarifas, o que permitiria que a extrema direita brasileira use esse fato como um argumento de que teria sido o candidato bolsonarista que teria conseguido fazer Trump ceder.
Se esse caminho for adotado pela Casa Branca, porém, o governo Lula vai martelar a narrativa de que a tarifa jamais teve um argumento econômico. O adiamento, assim, abalaria a credibilidade dos negociadores dos EUA e do USTR.
O gesto, portanto, seria visto como uma atitude deliberada para interferir na eleição brasileira.






