Ainda que a nova tarifa contra o Brasil tenha poupado cerca de 2,1 mil produtos, as barreiras criadas por Donald Trump terão um impacto severo sobre diversos setores.
Horas depois do anúncio por parte da Casa Branca, a Câmara de Comércio Brasil-EUA (Amcham) alertou que 2,9 mil produtos serão afetados e que a medida “consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral”.
“A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio”, diz a entidade, em nota.
Inicialmente, a Casa Branca previa isentar apenas 1,6 mil produtos. Mas, com a pressão do setor privado, o número foi elevado para 2,1 mil. Assim, o prejuízo ao Brasil caiu de US$ 13,4 bilhões para US$ 11 bilhões. No setor de ferro fundido, isso representa um alívio de US$ 1,5 bilhão. No setor de peixes, a isenção beneficiará cerca de US$ 206 milhões.
Ainda assim, os danos são reais. “Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos”, destaca a entidade.
A Amcham Brasil também insiste que a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região.
“Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual”, lamenta.
Na avaliação do setor privado, o aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico.
Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países.
“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A Amcham Brasil afirma ainda que considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos.
Mas o setor solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.






