O “créu” voltou. Só que, desta vez, foi no Brasil. Enquanto a torcida remava nas arquibancadas, Haaland jogava futebol. E, no fim, basta isso para explicar muita coisa.
Carlo Ancelotti chegou cercado pela fama de um dos maiores técnicos da história. Mas resolveu olhar para o retrovisor justamente quando a Seleção começava a encontrar um novo caminho. Ao recolocar Neymar no centro do ataque, desmontou a dinâmica construída em torno de Vinícius Júnior e Endrick. O Brasil perdeu intensidade, velocidade e voltou a depender de um jogador que já não entrega, dentro de campo, o protagonismo de outros tempos.
Neymar já não é mais o “Menino Ney”. Há muito tempo deixou de ser menino. Hoje é um dos atletas mais ricos e conhecidos do planeta, alguém que parece dominar muito melhor o mercado do que o próprio futebol. Poker, publicidade, empresas, campanhas, polêmicas… tudo vira negócio. O futebol, cada vez menos.
O mais curioso é que sempre existe alguém disposto a defendê-lo. Se a Seleção perde, a culpa é do treinador. Se joga mal, a culpa é da lesão. Se desaparece em campo, a culpa é do esquema. O único assunto que parece proibido é cobrar responsabilidade daquele que, durante anos, foi tratado como o grande líder do futebol brasileiro.
Enquanto isso, o torcedor continua fazendo sua parte. Decora ruas, compra bandeiras, veste amarelo, reúne a família e deposita na Seleção uma das poucas alegrias capazes de unir um país marcado por crises e polarizações. Em troca, recebe mais uma eliminação, uma equipe sem identidade e um futebol cada vez mais distante da grandeza que um dia representou.
E ainda teve o “créu”. O Movimento Verde Amarelo resolveu transformar uma expressão nascida na periferia em símbolo da torcida da Seleção. O Brasil, dono de uma das culturas musicais mais ricas do mundo, preferiu importar uma remada viking e misturá-la ao funk carioca. No fim, a única coisa que realmente deu “créu” foi a eliminação.
Talvez esteja na hora de trocar dancinhas de TikToker por futebol, bets por comprometimento e influencers por jogadores dispostos a carregar o peso da camisa da Seleção. Porque meme não ganha Copa. Dancinha não levanta taça. E contrato publicitário não deveria decidir uma eliminação.
No fim, a remada era “créu”.
Mas o “créu” foi em quem?
Texto: Tiago Breves de Oliveira





