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Brasileiros viajam centenas de quilômetros para tentar impedir vitória de Flávio Bolsonaro


Neste sábado, quem entrou em trens pela Europa pode ter se deparado com uma cena incomum: brasileiros vestidos de vermelho, adesivo no peito e muita esperança.

Pelo continente, centenas de eleitores que vivem em cidades sem consulados do Brasil fizeram a viagem até as capitais para poder, neste domingo, participar na eleição presidencial e tentar impedir a vitória de Flávio Bolsonaro.

Pela primeiras vez, quase 1 milhão de brasileiros estão aptos a votar no exterior. No dia 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva venceu no exterior, com 53% dos votos. Mas a taxa de abstenção foi grande. 62% deles não apareceram nas sessões eleitorais no primeiro turno. Seis de cada dez eleitores.

Nos EUA, a taxa de abstenção foi de 71%, contra 70% na Espanha e 68% na Itália.

Parte do problema é a distância dos consulados em relação ao local de moradia de vários grupos da comunidade brasileira. Ainda que as urnas tenham sido espalhadas por mais de 160 cidades em 102 países, a realidade é que, para muitos eleitores, chegar até as capitais ou grandes cidades de seus países envolveu gastar dinheiro e realizar viagens.

Na Itália, Portugal, Suíça, França e Alemanha, o ICL Notícias coletou mais de uma dezenas de relatos de famílias que decidiram parar tudo para votar. “Eu não suportaria saber que Flávio Bolsonaro venceu a eleição por uma margem pequena de votos e pensar que eu não fiz minha parte para evitar isso”, disse Antônio Castro, um morador do Norte da França.

Luciana também relatou à reportagem que cancelou todos seus compromissos para ir até Roma votar, neste fim de semana. “Não votei no primeiro turno. Mas, agora, sei que meu voto pode fazer diferença”, disse.

Uma das maiores operações de mobilização pelo voto progressista tem ocorrido na Espanha. Mariana Rosa Rodriguez, carioca de 40 anos e que vive em Málaga, é uma das organizadoras dos comboios.

Neste sábado, ela viajou mais de três horas em um trem de alta velocidade, pagou pelo menos 60 euros e encontrou lugar para pernoitar em Madri. Tudo para que pudesse votar.

No primeiro turno, ela conta que dez brasileiras saíram de sua região no Sul da Espanha e fizeram a longa viagem até Madri. “Quando veio a depressão dos resultados do primeiro turno, começamos a falar o que podemos fazer aqui, na nossa comunidade”, contou.

Um número que intrigava a brasileira era o de eleitores no país. Dos 40 mil brasileiros inscritos na Espanha, apenas onze mil apareceram para votar.

Neste fim de semana, a história foi diferente. “Tivemos muita gente viajando”, contou ao ICL Notícias. Além de Málaga, o grupo contou com brasileiros que viajaram de Gran Canaria, Asturias e outras regiões.

Em Madri, Mariana conta que foram hospedadas nas casas de outros brasileiros por meio do “voto solidário”, uma operação para acolher aqueles que precisam fazer a viagem até um consulado.

“Estamos espalhadas nas casas das pessoas que conhecemos pelo voto solidário em Madri”, disse. No trem, ela conta que conheceram brasileiros que não tinham onde ficar. “Ali mesmo os brasileiros mandaram mensagens para quem estava em Madri, e locais foram encontrados”, disse.

Pela Europa, caronas e vaquinhas passaram a ser planejadas. Assim, nos dias seguintes ao primeiro turno, mobilizações na Espanha, Itália, Portugal, França, Suíça, EUA e em dezenas de países surgiram para mudar essa realidade.

Pela legislação eleitoral do Brasil, candidatos não podem organizar comboios ou qualquer caravana para eleitores. Mas nada impede que pessoas se organizem neste sentido. Além disso, diplomatas ouvidos pelo ICL Notícias apontam que, no exterior, a legislação brasileira não se aplica.

Um site ainda foi criado www.votolafora.com.br para ajudar a mobilizar a comunidade de imigrantes. Nele, os brasileiros podem pedir carona ou local para ficar, e encontrar quem possa estar oferecendo um espaço.





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