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Com STF no centro da campanha, brancos e nulos para o Senado caem no país


Por Cleber Lourenço

Em uma eleição marcada pelo debate sobre o STF e pela ofensiva para formar uma bancada capaz de avançar pedidos de impeachment de ministros, os votos brancos e nulos para o Senado caíram de forma expressiva. A parcela de escolhas inválidas passou de 26,9% em 2018 para cerca de 16,9% neste ano.

A diferença ganha peso porque as duas eleições são diretamente comparáveis. Tanto em 2018 quanto em 2026 estavam em disputa duas das três cadeiras de cada estado, permitindo ao eleitor escolher dois candidatos. Mesmo com as duas opções na urna, a proporção de brancos e nulos caiu cerca de dez pontos percentuais.

O índice deste ano ficou abaixo até do registrado em 2022, quando havia apenas uma vaga para senador em disputa por estado. Naquele ano, 18,7% dos votos para o cargo foram brancos ou nulos.

A sequência mostra uma mudança clara no comportamento do eleitor. Em 2018, mais de uma em cada quatro escolhas disponíveis para o Senado terminou em branco ou nula. Em 2026, foram menos de uma em cada seis.

STF levou disputa pelo Senado ao centro da campanha

A redução dos votos inválidos ocorreu justamente quando o Senado ganhou protagonismo no debate nacional por causa do embate em torno do Supremo Tribunal Federal. Durante a campanha, candidatos de direita transformaram a eleição para a Casa em uma disputa pela formação de uma maioria capaz de avançar pedidos de impeachment de ministros.

A estratégia tem uma razão concreta. É do Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Uma eventual condenação exige o voto de dois terços da Casa, ou 54 dos 81 senadores.

O tema ganhou espaço nas campanhas estaduais, discursos de candidatos e articulações partidárias. O PL colocou a ampliação de sua bancada no Senado entre suas prioridades e vinculou diretamente a eleição de seus candidatos à possibilidade de aumentar a pressão sobre o Supremo.

O resultado das urnas aproximou esse objetivo do número necessário para uma eventual condenação. A nova composição terá ao menos 51 senadores que já se manifestaram favoravelmente ao impeachment de ministros do STF, apenas três abaixo dos 54 votos necessários.

A discussão sobre o Supremo deu, assim, uma dimensão nacional a uma eleição historicamente muito vinculada às disputas estaduais. Além de votar em candidatos de seus estados, o eleitor passou a ser confrontado com uma questão mais ampla: qual seria o papel do próximo Senado na relação com o STF.

Os números dos votos inválidos ajudam a dimensionar essa mudança. Em 2018, também com duas vagas em disputa, 26,9% das escolhas foram brancas ou nulas. Em 2022, com apenas uma escolha, o índice caiu para 18,7%. Agora, mesmo com duas opções novamente disponíveis, recuou para cerca de 16,9%.

O movimento chama ainda mais atenção diante da abstenção registrada neste primeiro turno. Enquanto aumentou o contingente de brasileiros que não compareceu às urnas, quem decidiu votar aproveitou em proporção maior as escolhas disponíveis para o Senado.

O resultado deixa uma fotografia diferente daquela de 2018: menos votos desperdiçados na disputa pela Casa e um Senado que saiu das urnas ainda mais próximo do centro do embate político e institucional em torno do Supremo.





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