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‘De novo, mercado erra mais do que acerta’


A economista e historiadora Deborah Magagna, apresentadora do ICL Mercado e Investimentos, fez uma análise crítica das projeções divulgadas pelo Boletim Focus do Banco Central, que traz projeções de mais de cem economistas do mercado financeiro todas as semanas. Na edição desta quarta-feira (7) do programa, Deborah comparou as projeções do início de 2025 e os dados oficiais da economia brasileira.

“O mercado, mais uma, vez projetou um cenário de caos que não se materializou”, afirmou. Na avaliação dela, as estimativas refletiram mais insatisfação política e pressão por ajustes fiscais tradicionais do que uma leitura objetiva dos fundamentos da economia.

Pessimismo herdado do fim de 2024

As projeções negativas para 2025 começaram a ser construídas ainda no fim de 2024, após a apresentação do pacote de ajustes fiscais pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na avaliação do mercado, as medidas foram consideradas insuficientes por não seguirem o modelo tradicional de cortes de gastos, especialmente sobre políticas sociais.

Esse descontentamento levou à precificação de um risco fiscal elevado, com alta do dólar, queda da Bolsa brasileira (B3) e disparada dos juros futuros. “Quando o pacote não agradou, o mercado passou a apostar contra o Brasil”, analisou Magagna.

PIB surpreende e afasta o fantasma da recessão

Uma das principais apostas do mercado era a desaceleração acentuada da economia — e até mesmo a possibilidade de recessão. No início do ano, projeções indicavam crescimento em torno de 2%, com revisões frequentes para baixo.

O resultado, porém, foi diferente. Apesar do avanço de 0,1% no terceiro trimestre, o PIB acumulado em quatro trimestres cresceu 2,7% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Nessa comparação, as três atividades mostraram avanços: Agropecuária (9,6%), Indústria (1,8%) e Serviços (2,2%).

Mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano, o consumo das famílias se manteve relativamente firme, impulsionado pelo ganho real do salário mínimo, inflação mais baixa e níveis historicamente reduzidos de desemprego.

Agro reage após ano climático adverso

Outro fator que contribuiu para o crescimento foi o agronegócio. Após um desempenho fraco em 2024, marcado por eventos climáticos extremos, o setor se beneficiou de uma base de comparação baixa e registrou safras acima do esperado em 2025.

Segundo Magagna, a recuperação não elimina os riscos estruturais ligados ao modelo produtivo, mas ajudou a sustentar a atividade econômica no curto prazo.

Dólar abaixo de R$ 6 desmonta projeções

Talvez o erro mais evidente tenha sido no câmbio. Gestores e analistas chegaram a projetar o dólar acima de R$ 6 ao longo de todo o ano, sustentados pelo discurso do risco fiscal.

Na prática, a moeda norte-americana ficou majoritariamente entre R$ 5,30 e R$ 5,50, beneficiada pela forte entrada de capital estrangeiro, diferencial de juros favorável e uma balança comercial robusta.

“O que havia ali era mais torcida do que previsão”, criticou Magagna, destacando que a expectativa de queda dos juros nos Estados Unidos foi subestimada pelo mercado.

Inflação dentro da meta e frustra apostas

Embora o resultado oficial da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) só será divulgado na sexta-feira (9), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o pessimismo do mercado financeiro não se confirmou. No início do ano, o mercado chegou a trabalhar com IPCA acima de 5%, alimentando expectativas inflacionárias elevadas.

O resultado foi o oposto: a inflação permaneceu abaixo do teto da meta (4,5%), com destaque para a deflação de alimentos e bens duráveis. Para Magagna, o controle inflacionário veio menos por eficiência estrutural e mais pelo forte aperto monetário, que freou a atividade econômica urbana.

Ela alertou ainda para o risco de expectativas inflacionárias autorrealizáveis quando projeções pessimistas são amplificadas sem base sólida.

Selic elevada confirma viés conservador do BC

Se em quase tudo o mercado errou, em um ponto ele acertou: a taxa básica de juros. A Selic permaneceu em 15% ao ano durante todo o período, mantendo uma política monetária fortemente contracionista.

Segundo Magagna, o Banco Central brasileiro adotou uma das posturas mais rígidas do mundo, inclusive sendo apontado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) como o mais conservador. O resultado foi retração do crédito, queda nos investimentos produtivos e pressão adicional sobre o crescimento.

Ao final da análise, Deborah Magagna foi direta: o mercado financeiro errou mais do que acertou em 2025. “O histórico se repete: projeções exageradamente negativas que não se confirmam”, frisou.

Assista ao programa completo no vídeo abaixo:





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