A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida alcançou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações nas redes sociais entre os dias 24 e 26 de setembro de 2026, segundo levantamento do Instituto DX. O episódio, que começou no campo religioso, ganhou dimensão eleitoral e posteriormente passou a envolver discussões sobre remoção de conteúdo, liberdade de expressão e censura.
De acordo com o Relatório Especial DX, foram registradas 669,9 mil menções nas primeiras 24 horas. Em aproximadamente 55 horas, o volume chegou a 977,6 mil publicações, com pico de 38,3 mil menções em uma única hora. O instituto afirma que o episódio alcançou o terceiro maior volume de menções entre os eventos políticos monitorados em 2026.
A controvérsia teve início após uma apuração da GloboNews sobre a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação envolvendo grupos evangélicos. A discussão ganhou associação com o senador Flávio Bolsonaro após uma declaração na qual afirmou que, se eleito presidente, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo.
O levantamento identifica duas principais ondas de repercussão. A primeira foi impulsionada pela discussão sobre o projeto, pelas reações de católicos, pela negativa de Flávio Bolsonaro e posteriormente pela correção feita pela GloboNews. A segunda ganhou força depois de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinando a remoção de mais de mil publicações. A partir daí, parte significativa do debate passou a tratar de censura, retirada de conteúdo e liberdade de expressão.
Esquerda concentrou maior volume de publicações
Entre 345 posts de perfis políticos analisados pelo Instituto DX, 66% das publicações e 70% das interações foram atribuídas à esquerda. Perfis classificados pelo instituto como extrema-direita responderam por 33% das publicações e 30% das interações. A imprensa representou 1% das publicações monitoradas.
O principal eixo de mobilização identificado foi o cluster denominado “TIRAR O TÍTULO DE APARECIDA”, que concentrou 53% das publicações e 47% das interações. Segundo o relatório, 80% da produção desse grupo teve origem em perfis classificados como de esquerda.
Outro tema de destaque foi “MOBILIZAÇÃO EVANGÉLICA E O PL DE 2007”. O assunto representou 17% das publicações, mas alcançou 33% das interações. A discussão recuperou o Projeto de Lei 2.623/2007 e sua posterior associação ao governo Jair Bolsonaro.
Já o cluster “FLÁVIO NEGA E ATACA A GLOBO” concentrou 20% das publicações, das quais 96% foram produzidas por perfis classificados pelo instituto como de extrema-direita. Nesse segmento, a correção feita pela GloboNews passou a ser utilizada como argumento para contestar a denúncia original.
A memória de episódios envolvendo Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida em 2022 teve participação menor na mobilização. O tema correspondeu a 11% das publicações e apenas 4% das interações.
Decisão de Mendonça mudou o foco da discussão
Segundo o relatório, a decisão de André Mendonça provocou uma mudança no objeto central da controvérsia. A discussão, inicialmente concentrada na mobilização do eleitorado católico, no projeto de 2007 e na atuação de Flávio Bolsonaro, passou a incluir a retirada de publicações e os limites da liberdade de expressão.
O Instituto DX aponta que perfis de esquerda questionaram o alcance da decisão, enquanto setores da direita passaram a incorporá-la à narrativa de que Flávio Bolsonaro havia sido alvo de uma campanha de desinformação.
Ao todo, o levantamento identificou cerca de 24 mil publicadores únicos. Entre os participantes estavam políticos, influenciadores, perfis progressistas, grupos religiosos e outros atores, indicando que o episódio atravessou simultaneamente os campos político, religioso e midiático.
O relatório conclui que a controvérsia mudou rapidamente de foco ao longo dos três dias analisados: começou com a mobilização em torno de Nossa Senhora Aparecida e do eleitorado católico, avançou para a discussão sobre o PL de 2007 e a atuação de Flávio Bolsonaro, passou pela contestação da reportagem da GloboNews e terminou incorporando a disputa sobre remoção de conteúdo, liberdade de expressão e censura.
O levantamento completo está disponível no Relatório Especial DX, publicado pelo Instituto DX.





