Duas substâncias psicoativas inéditas foram detectadas por pesquisadores da Unicamp. A descoberta envolve a desclorocetamina (DCK) e a 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK), compostos análogos da cetamina.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Justiça de São Paulo (MJSP), as substâncias foram identificadas por meio de análises de amostras de fluido oral coletadas em pessoas participantes de festas no estado. O caso levou o Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR) a publicação do Alerta Rápido nº 08/2026. O órgão é responsável pela captação, análise e disseminação de informações sobre novas substâncias psicoativas e padrões emergentes de uso de drogas no Brasil.
O alerta destaca, no entanto, que as informações disponíveis acerca dos efeitos tóxicos e das características farmacológicas das drogas identificadas ainda são limitados.
A DCK e a 2-FDCK pertencem à mesma família química da cetamina, substância que possui uso médico como anestésico. Os dois compostos são classificados como novas substâncias psicoativas, grupo que reúne drogas sintéticas ou modificadas para produzir efeitos semelhantes aos de substâncias já conhecidas.
Estudo e análises
Os resultados foram obtidos a partir de análises conduzidas pelo Projeto Baco, iniciativa que pesquisa o consumo de substâncias psicoativas por meio de amostras de saliva fornecidas voluntariamente por pessoas que frequentam festas e festivais.
Entre 2023 e 2025, o projeto examinou 1.565 amostras de fluido oral recolhidas durante 14 eventos realizados em São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, conforme dados do MJSP.
A desclorocetamina apareceu em 48 amostras, o que representa 3,1% do total. A 2-FDCK foi detectada em 19 casos, correspondendo a 1,2%. A cetamina, substância da mesma família química, foi encontrada em 360 amostras, ou 23% do conjunto analisado.
A coleta de saliva permite verificar se houve uso recente de determinadas substâncias e confrontar os resultados obtidos em laboratório com as informações fornecidas pelos próprios participantes. Os dados também ajudam pesquisadores e autoridades a acompanhar quais drogas estão circulando e identificar possíveis alterações nos padrões de consumo.
Monitoramento
A coleta de amostras em festas faz parte de uma estratégia de vigilância para identificar substâncias que podem estar circulando entre usuários antes que elas sejam detectadas por outros mecanismos, como apreensões policiais ou atendimentos hospitalares.
Em 2026, o sistema federal já publicou outros alertas relacionados a novas substâncias psicoativas. A lista inclui compostos como dimetocaína, dipentilona e protodesnitazeno, além de um alerta sobre a mistura de cocaína e fentanil.
O Ministério da Justiça afirma que o objetivo do SAR é permitir a identificação rápida de novas substâncias e o compartilhamento de informações para subsidiar ações de saúde e segurança pública.




