Por Heloísa Villela
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) enviou ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, informações que diz ter recebido de funcionários da Câmara dos Deputados a respeito de Mariângela Fialek, conhecida na Casa como Tuca. Ela foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, no dia 12 de dezembro de 2025.
Na época, Tuca foi afastada do trabalho, mas já retomou as funções. Porém, Flávio Dino a proibiu de trabalhar com emendas parlamentares. Segundo a denúncia, ela teria voltado a tratar do assunto, atuando dentro do gabinete do primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ).
Advogada, Tuca foi assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) quando ele era presidente da Câmara. Ela também foi conselheira da Caixa Econômica Federal e da Codevasf, Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco.
Segundo as investigações da Polícia Federal, Tuca cuidava do chamado orçamento secreto na gestão de Lira e teria continuado na função até a data da busca da Polícia Federal em gabinetes da Câmara e na casa dela. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, relator, no STF, do inquérito do orçamento secreto.

Glauber Braga foi um dos autores da denúncia que deu origem ao inquérito. Em depoimento à PF, Glauber e outros deputados contaram que Tuca elaborava as listas dos municípios para os quais as comissões da Câmara deviam enviar dinheiro das emendas.
Quando a emenda era enviada através de uma comissão, não era necessário identificar o autor. Por isso, elas eram conhecidas como emendas do orçamento secreto. Segundo a denúncia dos deputados, no ano passado algumas comissões chegaram a enviar um grande volume de recursos para Alagoas, estado de Lira, mesmo sem que houvesse qualquer deputado do estado na comissão.
Agora, funcionários da Câmara procuraram Glauber Braga para dizer que Tuca voltou a atuar com a distribuição do dinheiro das emendas parlamentares, contrariando a determinação do ministro Dino, e estaria recebendo deputados e assessores parlamentares para organizar as emendas de comissão, as chamadas RP 8, no gabinete de Altineu Côrtes.
No documento enviado a Flávio Dino, Glauber afirma que os relatos recebidos indicam possíveis descumprimentos das regras de transparência e rastreabilidade estabelecidas pelo STF para a execução das emendas de comissão (RP 8). Segundo o deputado, as decisões da Corte exigem a identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações, além de registro formal, publicidade e rastreabilidade dos recursos públicos até o destinatário final.
Contraponto
Informado sobre a denúncia pelo ICL Notícias, Altineu reagiu com veemência: “em hipótese alguma e de jeito nenhum!”, disse. Segundo o deputado, Tuca é lotada na Direção-Geral da Câmara. Ele disse que já encontrou com a advogada nos corredores da Casa e garantiu que, no gabinete dele, seja o de deputado ou o de vice-presidente, ela não trabalha.
Altineu Côrtes convidou o ICL a conhecer os dois gabinetes e constatar por conta própria que Tuca não trabalha neles. “Quem lida com as emendas da Câmara como um todo é o presidente. Eu não trato de emenda alguma, a não ser as do meu próprio mandato”, afirmou.




