O Brasil convocou, neste domingo (26), o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, após Javier Milei criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes em discurso a Convenção Nacional do Partido Liberal, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
O Ministério das Relações Exteriores considerou que as falas de Milei foram uma “afronta”, que desrespeitaram o presidente, o Poder Judiciário e a população brasileira. A chamada para consultas de um embaixador significa, na diplomacia, um forte protesto contra as ações de outro Estado.
O embaixador Bitelli deve chegar em Brasília hoje ou amanhã e se reunir com o chanceler Mauro Vieira.
Na convenção do PL, Milei criticou decisões do STF envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que há ministros que se comportam como “ditadores” e classificou como injusta a decisão de Alexandre de Moraes que o impediu de visitar Bolsonaro.
A lado do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. Milei criticou o que chamou de avanço do socialismo na América Latina e afirmou que uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria uma mudança de rumo para o Brasil.
Milei disse ainda que Lula “voltou ao poder radicalizado” e que representa um “risco”.

Fachin condenou ataque de presidente argentino a Alexandre de Moraes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, reagiu neste sábado (25) às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o ministro Alexandre de Moraes. Em nota oficial, Fachin classificou as falas como uma “referência desrespeitosa” a um integrante da Suprema Corte, reafirmou a independência do Judiciário brasileiro e afirmou que manifestações como essa são “incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
A manifestação foi divulgada poucas horas depois de Milei participar da convenção nacional do PL, em Brasília.
Na nota, Fachin deixa claro que as críticas atingiram não apenas um ministro, mas a própria instituição. “Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País”, escreveu o presidente do STF ao comentar as declarações feitas por Milei em território brasileiro.
Fachin ainda enfatizou que o STF mantém “a plena autonomia do Judiciário brasileiro”, em uma resposta direta às críticas de um chefe de Estado estrangeiro.






