Na madrugada da última quarta-feira (20), um incêndio de grandes proporções atingiu o templo budista Daishō-in, localizado na ilha de Miyajima, em Hiroshima, no Japão. As chamas alcançaram uma das principais estruturas do complexo religioso: o histórico salão Reikadō, onde era preservada a “chama eterna” — fogo que, segundo a tradição budista japonesa, permanecia aceso ininterruptamente há cerca de 1.200 anos. O espaço integra um patrimônio cultural de séculos de história e grande relevância religiosa no país.
Apesar dos danos severos, autoridades locais afirmaram que a “chama eterna” permaneceu preservada durante o incêndio. Isso porque suas brasas eram mantidas separadamente, em uma área específica do templo que, aparentemente, não foi atingida pelo fogo.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a dimensão total dos prejuízos nem registro de vítimas. As causas do incêndio estão sendo investigadas pelo governo japonês.
O salão Reikadō é um dos espaços mais simbólicos do templo Daishō-in. Segundo a cultura budista, o local teria servido de retiro ascético para Kūkai (também conhecido como Kōbō Daishi), influente monge japonês nascido em 774 e fundador da escola budista Shingon.
A “chama eterna” ou “fogo inextinguível” preservada no templo também carrega forte valor simbólico para a história recente do Japão. De acordo com a tradição, ela teria dado origem à “Chama da Paz”, mantida no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, em homenagem às vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre a cidade no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Relatos da imprensa local indicam ainda que o salão Reikadō já havia sido atingido por incêndios em outras ocasiões ao longo de sua história.






