As mensalidades das escolas particulares devem subir entre 7% e 10% em 2027, com reajustes que chegam a 14,9% em algumas instituições. Segundo levantamento publicado pelo jornal O Globo, que consultou 18 colégios do Rio de Janeiro e de São Paulo, os aumentos são justificados por custos operacionais, investimentos e possíveis impactos do fim da escala de trabalho 6×1.
A projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) indica reajustes entre 7% e 10%, acima da inflação de 5,22% prevista para 2026 pelo mercado financeiro. Já uma pesquisa do Grupo Rabbit, realizada com 580 instituições de ensino, aponta aumento médio de 9%.
Entre as despesas citadas pelas escolas estão energia, água, manutenção, tecnologia e salários de professores. Algumas instituições também anteciparam custos relacionados à mudança na jornada de trabalho, embora ainda existam dúvidas sobre os efeitos da nova legislação.
O maior reajuste identificado pelo jornal foi o do Colégio Cruzeiro, no Rio de Janeiro, que elevou o percentual previsto de 9,5% para 14,9% após a aprovação do fim da escala 6×1. A instituição informou que poderá rever os valores e devolver eventuais diferenças caso a regulamentação reduza os custos estimados.
Veja os reajustes anunciados pelas escolas
No Rio de Janeiro, o Colégio pH anunciou aumento de 10%, enquanto o ZeroHum terá reajuste de 9,11%. O Saint John prevê correções entre 9% e 13%, dependendo da data de renovação da matrícula.
Outras instituições, como o Santo Inácio, o Santa Mônica e o São Vicente de Paulo, estabeleceram aumentos de 7,8%, 7% e 8,5%, respectivamente.
Em São Paulo, o Colégio Bandeirantes anunciou reajustes entre 6,72% e 10,04%, conforme a turma. O Dante Alighieri terá aumento de 8,5%, enquanto o Benjamin Constant aplicará percentuais entre 7,5% e 8%.
Fim da escala 6×1 preocupa instituições
Parte das escolas afirma que a ampliação do descanso semanal poderá elevar os gastos com professores remunerados por hora-aula e funcionários de apoio.
O Colégio Santo Inácio, por exemplo, estima que mudanças no cálculo do Descanso Semanal Remunerado (DSR) possam aumentar em até 20% a remuneração de docentes, mesmo sem alteração da carga horária.
Entretanto, especialistas em direito trabalhista divergem sobre a necessidade de modificar esse cálculo. A regulamentação do governo deverá esclarecer como as novas regras serão aplicadas.
O Colégio e Curso Tamandaré, no Rio, anunciou reajuste de 8% e informou que pretende repassar eventuais custos adicionais da mudança de jornada apenas em 2028.
Famílias podem negociar descontos
Apesar dos aumentos, especialistas apontam que há espaço para negociação, especialmente em casos de pagamento antecipado, irmãos matriculados na mesma instituição ou bom desempenho escolar.
O economista André Braz, coordenador do Índice de Preços do FGV Ibre, explicou ao Globo que as mensalidades escolares costumam subir acima da inflação devido ao peso dos serviços na estrutura de custos do setor.
Alguns colégios já oferecem alternativas para reduzir o impacto financeiro. O Santa Mônica concedeu desconto de 50% na primeira mensalidade de 2027 para famílias que anteciparam a rematrícula, enquanto o São Vicente de Paulo oferece abatimento de 10% para pagamento integral da anuidade até 10 de janeiro.
No Santo Inácio, o desconto para quitação antecipada é de 8%. Já o Bandeirantes oferece parcelamento da rematrícula e redução de 7,5% para pagamento anual.





