Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). A informação foi confirmada pela instituição. Ele estava em casa, no Rio de Janeiro.
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir iniciou a carreira jornalística na Tribuna da Imprensa, onde trabalhou como arquivista enquanto cursava a faculdade. Também passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil.
O jornalista ganhou destaque por reportagens e livros sobre temas sociais e políticos do Brasil. Em 1989, recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog pela série “O Acre de Chico Mendes”, publicada no Jornal do Brasil.
Entre suas principais obras está “1968 – O Ano que Não Terminou”, sobre a juventude e a repressão durante a ditadura militar. Também escreveu “Cidade Partida”, resultado do período em que acompanhou a vida de moradores de Vigário Geral após a chacina ocorrida na comunidade, no Rio de Janeiro.
Zuenir também escreveu sobre a exploração da Amazônia e a violência urbana. Em “Minhas Histórias dos Outros”, publicado em 2005, reuniu relatos sobre personalidades como Glauber Rocha, Betinho e Carlos Drummond de Andrade.
Em 2015, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que havia pertencido ao escritor Ariano Suassuna.
Durante a ditadura militar, Zuenir e a mulher, a também jornalista Mary Akiersztejn, foram presos em 1968 e levados ao Dops do Rio de Janeiro. Ele permaneceu preso por três meses.
Além da carreira como jornalista e escritor, Zuenir atuou como professor e ajudou a formar jornalistas ao longo de sua trajetória profissional.
Zuenir deixa a mulher, Mary, os filhos Elisa e Mauro e dois netos, Alice e Eric.





