Por José Guimarães*
O Brasil realizou uma das mais emocionantes campanhas eleitorais da sua história. Nas ruas e nas redes, milhões de brasileiras e brasileiros se mobilizaram e escolheram a democracia, a soberania nacional e a continuidade do projeto de desenvolvimento sustentável com justiça tributária, social e ambiental do governo Lula, como afirmação dos seus destinos. A vitória do Presidente Lula teve uma extraordinária repercussão mundial e reafirmou o reconhecimento internacional de sua liderança.
Chefes de Estado de todos os continentes cumprimentaram o Presidente Lula pelo resultado eleitoral. O reconhecimento expressa a relevância do Brasil na geopolítica global e o espaço recuperado pela política externa ativa e altiva do governo, baseada no diálogo, na cooperação entre as nações e na defesa do multilateralismo.
O Presidente Lula recolocou o país nos principais fóruns internacionais, defendendo a democracia, a erradicação da fome e da pobreza, a proteção ambiental, a transição energética e a paz entre as nações. Essa agenda confere dimensão internacional ao nosso projeto de desenvolvimento e reativa a presença do Brasil nas decisões que afetam o mundo.
Na contramão do resultado das urnas, Flávio Bolsonaro recusou-se a reconhecer a derrota, fugiu para os Estados Unidos alegando fraude eleitoral e se autoproclamou presidente do Brasil, num gesto estapafúrdio, digno de uma grande presepada. A contestação, sem comprovação apresentada, foi prontamente rejeitada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo próprio pai do candidato derrotado, Jair Bolsonaro. Nenhuma liderança política dos partidos que o apoiaram na eleição, nem mesmo o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, apoiou a atitude de Flávio Bolsonaro.
Os debates da campanha deixaram claras as diferenças entre os projetos em disputa. A escolha eleitoral assegurou a continuidade de uma estratégia que combina crescimento econômico, inclusão social, justiça tributária e proteção ambiental, com o Estado exercendo seu papel estratégico de indutor do desenvolvimento. O desafio do quarto mandato de Lula é consolidar as conquistas sociais, reduzir as desigualdades e construir as bases de uma economia moderna, industrializada e tecnologicamente avançada.
Essa transformação exige investimentos expressivos em educação, ciência, tecnologia e inovação. O desenvolvimento nacional depende da formação de novas gerações, da expansão das universidades e dos centros de pesquisa e da capacidade de converter conhecimento em produtividade, empregos qualificados e riqueza para o país.
O Brasil precisa superar a dependência da exportação de matérias-primas e agregar valor às suas riquezas naturais. As reservas de terras raras e minerais críticos oferecem uma oportunidade estratégica para desenvolver uma indústria de alto padrão tecnológico, voltada à produção de semicondutores, equipamentos para eletrificação, tecnologias digitais e inteligência artificial. Em vez de exportar recursos naturais e importar produtos de maior valor agregado, o país deve dominar as etapas decisivas dessas cadeias produtivas, gerar empregos e reafirmar sua autonomia econômica.
A modernização industrial deve caminhar junto com a transição energética e a responsabilidade ambiental. A capacidade brasileira de produzir energia renovável pode sustentar uma nova etapa de industrialização, com inovação, competitividade e redução das emissões. Ao mesmo tempo, a justiça tributária avança, com a entrada em vigor da lei da reforma tributária, para assegurar que a distribuição da riqueza do desenvolvimento não recaia desproporcionalmente sobre trabalhadoras, trabalhadores e as famílias de menor renda.
O projeto nacional exige, portanto, integração entre política industrial, educação, ciência, tecnologia, inclusão social e sustentabilidade. A soberania não se limita à independência política: depende também da capacidade de produzir, inovar e decidir os próprios rumos econômicos. Da mesma forma, a liderança internacional do Brasil ganha força quando o país combina sua atuação diplomática, sua participação no debate dos problemas globais, com avanços concretos na redução da pobreza, na distribuição da renda e na modernização de sua estrutura produtiva.
A vitória do Presidente Lula para o mandato dos próximos quatro anos reafirmou a escolha por um Brasil democrático, soberano e comprometido com o desenvolvimento sustentável. Cabe agora transformar essa decisão em resultados duradouros: mais justiça social e tributária, uma indústria tecnologicamente avançada, educação em tempo integral e de qualidade, proteção ambiental e uma política externa ativa e altiva na defesa da soberania, do multilateralismo e da cooperação entre as nações. Esse é o caminho para garantir a independência do Brasil e assegurar os benefícios do desenvolvimento a toda a sociedade.
*José Guimarães é advogado, Deputado Federal (PT/CE) e Ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.






