MANAUS (AM) – Em um cenário eleitoral em que transparência e credibilidade tendem a ocupar espaço decisivo no julgamento do eleitor, o silêncio de duas das principais lideranças políticas do Amazonas passou a chamar atenção após a divulgação de um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) que estima prejuízo de R$ 1,117 bilhão na Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc).
Passados vários dias desde que as conclusões da auditoria vieram a público, nem o ex-governador Wilson Lima, hoje pré-candidato ao Senado, nem o atual governador Roberto Cidade, pré-candidato ao Governo do Estado, haviam apresentado posicionamento público sobre os apontamentos da Corte de Contas. A ausência de manifestações deslocou o foco do debate para além das irregularidades identificadas e passou a levantar questionamentos sobre a postura política adotada diante de um dos temas mais sensíveis da administração pública: a aplicação de recursos destinados à educação.
O relatório técnico, elaborado pela Diretoria de Controle Externo da Administração Direta Estadual (DICAD), reúne indícios de falhas administrativas envolvendo contratos, pagamentos, merenda escolar, transporte de estudantes e controle patrimonial da Seduc, resultado de fiscalização realizada entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Entre os apontamentos estão pagamentos classificados pelos auditores como irregulares, divergências no controle de estoques, empresas que não teriam sido localizadas durante diligências e problemas na execução do transporte escolar. O documento estima um prejuízo superior a R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos.
Embora o processo ainda esteja em tramitação no Tribunal de Contas e os responsáveis tenham direito ao contraditório e à ampla defesa antes de qualquer decisão definitiva, especialistas em gestão pública costumam destacar que episódios dessa natureza exigem respostas rápidas das autoridades políticas, sobretudo quando envolvem áreas essenciais como a educação.
O custo político do silêncio
Ao optar por não se pronunciar, Wilson Lima e Roberto Cidade deixam espaço para que adversários ocupem o debate público e construam suas próprias narrativas sobre o caso. Em campanhas eleitorais, a ausência de explicações costuma prolongar o ciclo de questionamentos e manter o tema em evidência.
Para Wilson Lima, cuja gestão compreende parte do período fiscalizado, o episódio tende a ser explorado como um teste sobre sua capacidade de responder politicamente a um relatório que questiona a aplicação de recursos da maior pasta do Estado.
Já para Roberto Cidade, que busca se apresentar como alternativa para comandar o Executivo estadual, o desafio político é diferente. Mesmo sem ser apontado como responsável direto pelas irregularidades descritas na auditoria, sua condição de governador faz com que recaia sobre sua administração a expectativa de apresentar providências, esclarecer os fatos e demonstrar compromisso com a transparência.
Educação volta ao centro do debate
O caso também recoloca a educação no centro da discussão política amazonense.
O relatório do TCE-AM não trata apenas de valores expressivos. Os apontamentos envolvem políticas públicas que impactam diretamente estudantes da rede estadual, como alimentação escolar, transporte e execução de contratos destinados ao funcionamento das escolas.
Quando recursos dessa magnitude passam a ser objeto de questionamentos técnicos, cresce a expectativa da sociedade por esclarecimentos, correções administrativas e eventual responsabilização, caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo.
Prestação de contas como ativo eleitoral
Em um ambiente de forte polarização política, a prestação de contas deixa de ser apenas obrigação institucional e passa a representar um ativo eleitoral.
Pré-candidatos que disputam cargos majoritários costumam ser cobrados não apenas por suas propostas para o futuro, mas também por sua disposição em responder a questionamentos relacionados à gestão pública.
Nesse contexto, o silêncio pode ser interpretado de diferentes maneiras pelo eleitorado. Enquanto estrategistas políticos frequentemente defendem a cautela diante de processos ainda em andamento, parte da opinião pública tende a esperar posicionamentos transparentes quando auditorias oficiais apontam indícios de prejuízos bilionários em áreas essenciais.
Até o presente momento não houve manisfestação nem do ex- Governador Wilson Lima, Roberto Cidade ou do Governo do Estado especificamente sobre os apontamentos do relatório técnico divulgado pelo Tribunal de ConAté o momento, não havia registro de manifestação públicatas do Estado do Amazonas. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos e manifestações das partes envolvidas.
“Na política, especialmente em ano eleitoral, o silêncio costuma ser a melhor munição para os adversários. No Amazonas, porém, a lógica parece ser outra: o boi que vence acaba perdendo, enquanto o boi que voa ainda que precise da ajuda de um guindaste é quem ergue o troféu.
Diante de um escândalo dessa dimensão, o barulho deveria ser a ordem do dia e a ‘bala de prata’ dos concorrentes. Mas, por aqui, o silêncio parece falar mais alto.
Talvez o problema seja outro: o povo só pega no tranco!”
Rafael Medeiros / TREZZE Comunicação Integrada.






